Blog do Desemprego Zero

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A SEMANA A LIMPO

Postado em 5 de setembro de 2008

Léo Nunes - Paris

 

 

Brasil

 

Segundo o blog do Josias, da Folha on-line (clique aqui para ler), a cúpula do tucanato tenta articular secretamente um encontro com o presidente Lula para discutir o “grampogate”, que, segunda a revista (?) Veja, incluiria um grampo de uma conversa entre o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e o presidente do Supremo Tribunal Federal STF), Gilmar Mendes. A pergunta, muito bem formulada, por Paulo Henrique Amorim (clique aqui para ler), é a seguinte: onde está o tal grampo? Ou será mais uma armação da Veja, como a dos dólares de Cuba para campanha petista? O governo continua refém da imprensa. Lamentavelmente.

 

Economia

 

A OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) aponta, em estudo apresentado nesta semana, que as perspectivas de crescimento para economia brasileira aumentaram. A mesma pesquisa pontua a possível deterioração nas perspectivas de crescimento por parte dos países do G-7. A crise econômica mundial ainda não apresentou todas as suas conseqüências. É esperar para ver.

 

Internacional

 

Angola viverá sua segunda eleição legislativa, nesta sexta-feira, após 27 anos de guerra civil. O Movimento Popular pela Libertação de Angola (MPLA), partido do presidente José Eduardo dos Santos, deve ganhar a eleição. A oposição acusa o MPLA de utilizar a máquina pública na propaganda eleitora. Os observadores internacionais também têm criticado a organização das eleições.

 

Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa, escreve neste espaço às segundas, quartas e sextas-feiras.  Meus Artigos

 

 

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Independência da racionalidade

Postado em 5 de setembro de 2008

 *Heldo Siqueira

Um questionamento recorrente entre os economistas é a possibilidade de existência de uma autoridade monetária neutra em relação às questões políticas. Parece que estamos passando por um período de teste dessa tese. Muitos acreditavam que as políticas dos bancos centrais dos países desenvolvidos eram independentes, e ao BC brasileiro deveria ser dada a mesma autonomia. Nesse caso, a análise da situação por que passam os países desenvolvidos em comparação ao Brasil deve ser importante.

No caso do Banco da Inglaterra, a decisão dessa semana foi por manter a taxa básica de juros em 5% ao ano. Além disso, em abril desse ano, já houve a decisão da autoridade monetária em baixar em 0,25 pp a taxa de juros. (clique aqui para ler sobre as decisões do Banco da Inglaterra) O resultado, é uma inflação de 4,4%, quando a meta é de 2%. (clique aqui para ler os dados na página do Banco da Inglaterra). Provavelmente, em abril a inflação já havia desviado da meta, mas o independente Banco da Inglaterra tomou uma iniciativa inflacionária. Leia o resto do artigo »

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O BACEN E A OBSESSÃO PELA TAXA DE JUROS

Postado em 4 de setembro de 2008

RIVE GAUCHE

 

Léo Nunes - Paris - O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne na semana que vem para decidir o futuro da Selic, a taxa básica de juros da economia. Analistas do mercado acreditam que a autoridade monetária deve mais uma vez aumentar a taxa, devido a um suposto risco inflacionário.

 

Apesar da elevação do índice de utilização da capacidade instalada, o que se vê na economia mundial é um arrefecimento dos preços das commodities, dentre elas o petróleo e o aço. Tal fato pode ter dois efeitos. Se por um lado, há um efeito de diminuição no nível dos preços, por outro lado a redução da receita das exportações pode levar a uma desvalorização da taxa de câmbio.

 

Entretanto, como já alertamos anteriormente neste espaço, é absolutamente questionável a utilização da taxa de juros para absorver choques externos. Economistas de alto gabarito, como o prêmio Nobel Joseph Stiglitz, argumentam que o impacto de um aumento da taxa de juros para absorver tais choques pode ser inócuo ou ínfimo, o que o torna indesejável, dado seu alto custo em termos de crescimento econômico e geração de empregos.

 

Mesmo com tantos argumentos contrários, o Banco Central deve utilizar seu monetarismo cego para tomar a decisão da próxima semana. A crítica de importantes setores do governo à política monetária do Bacen nos leva ao questionamento de quem realmente dá as cartas por lá: o governo ou o mercado financeiro.

 

Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa. Meus Artigos

 

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El impotente poder de la socialdemocracia europea

Postado em 2 de setembro de 2008

Michel Rocard

Texto em inglês

A primera vista, la democracia social europea parece estar en crisis. El desplome de Gordon Brown en el Reino Unido, la brutal conmoción de la recesión económica de España, las dificultades para renovar la dirección socialista en Francia, el desplome de la coalición de centro izquierda en Italia y las graves luchas intestinas dentro del PSD alemán son, todos ellos, ejemplos de la aparente incapacidad de la socialdemocracia para aprovechar la oportunidad, que la actual crisis financiera debería brindar, de ejercer una mayor influencia.

Pero la simultánea aparición y el carácter palmario de esos problemas son menos importantes de lo que parecen. Los errores o torpezas en el gobierno no son exclusivos de la izquierda: Bélgica está paralizada por la amenaza de ruptura, Austria sigue intentando consolidar una improbable coalición conservadora, Polonia está esforzándose por lograr un equilibrio estable para sus numerosos impulsos reaccionarios y el Presidente de Francia está alcanzando niveles de impopularidad sin precedentes.

Dos factores ayudan a explicar las incertidumbres europeas actuales: en primer lugar, la crisis económica y financiera internacional, que estamos superando bastante lentamente; en segundo lugar, la forma como los medios de comunicación están presentándola. A la combinación de los dos es, a mi juicio, a la que se debe la sensación de impotencia que está afectando ahora a toda Europa y puede parecer que caracteriza a la socialdemocracia en particular.

Al informar sobre la crisis, los medios de comunicación han insistido demasiado en la situación financiera y no han prestado la atención suficiente a la marcada desaceleración del crecimiento económico, pero es la recesión económica la que vuelve a todos los países desarrollados menos resistentes a las conmociones financieras resultantes del problema de las hipotecas de riesgo elevado y de los planes de préstamos mixtos a los que se recurre después para diluir los riesgos que entraña la deuda de aquéllas. De hecho, la combinación de incertidumbres bancarias, crecimiento más lento, mayor riesgo de desempleo y trabajo precario es la causante de la debilidad política que ahora vemos en el Reino Unido, España, Italia y otros países.

En eso estriba un problema ideológico real. En la segunda mitad del siglo XX se produjo la victoria de la economía de mercado sobre la economía colectivista. La izquierda, que antes había recurrido a Marx, quedó desorientada. Incluso la socialdemocracia, que era una excelente reguladora del capitalismo, en particular en Escandinavia, se quedó muda en la controversia entre keynesianos y monetaristas y éstos vencieron en todo el mundo desarrollado.  El principio aceptado actualmente es el de que los mercados se equilibran óptimamente, sea cual fuere su estado, lo que quiere decir que ninguna intervención o regulación gubernamental sería eficiente ni deseable. Leia o resto do artigo »

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Boletim semanal do Blog do Desemprego Zero

Postado em 2 de setembro de 2008

n.21, ano 1 -20/08/2008 a 01/09/2008

Destaques da Semana no Blog

Economia

Excesso de demanda

Flebilidade no mercado de câmbio

Por um mundo mais livre

Política

Onze contra um… por causa de um gol contra

Desenvolvimento

Um pré-sal desprezado no setor elétrico

O pré-sal e o desenvolvimento do Brasil

O pré-sal

Internacional

Os paraísos fiscais e a licença para fraudar

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A SEMANA A LIMPO

Postado em 30 de agosto de 2008

Léo Nunes - Paris

 

 

Brasil

 

O presidente Lula se prepara para entrar com força nas eleições municipais deste ano. Neste fim de semana, Lula fará sua primeira aparição pública ao lado da candidata Marta Suplicy. Além disso, o presidente participará de campanhas petistas no ABC, reduto histórico do partido. A eleição municipal, além de importante por si mesma, pode ser um preâmbulo para 2010.

 

Economia

 

O cenário externo tem prejudicado o rendimento da Bovespa. O investimento na bolsa paulista continua a ocupar a última colocação no ranking das aplicações financeiras. A perda acumulada já alcançou a marca dos 6,43%. Este pode ser uma amostra do que pode acontecer com os fluxos de capitais, e com as contas externas, no caso de uma violenta reversão do ciclo. Num ambiente de finanças liberalizadas, não haverá muito a ser feita.

 

Internacional

 

O candidato republicano Jonh McCain escolheu o nome para compor a chapa para concorrer à Casa Branca. A escolhida é a governadora do Alaska, Sarah Palin. A jovem política de 44 anos pode fazer um contraponto a idade do senador MacCain, além da possível atração de parte dos votos da ex-primeira dama Hillary Clinton.

 

Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa, escreve neste espaço às segundas, quartas e sextas-feiras.  Meus Artigos

 

 

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TAM e Gol agora buscam o mercado visado pela Azul

Postado em 29 de agosto de 2008

Por José Augusto Valente*

A chegada da Azul Linhas Aéreas ao mercado, prevista para janeiro de 2009, já está mobilizando os concorrentes.

Na semana passada, as aéreas TAM e Gol entraram junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) com pedidos de autorização de vôo (hotrans) para rotas de interesse da nova companhia de David Neeleman.

As duas líderes, que detêm mais de 90% do mercado doméstico, querem autorização para voar do centro do Rio de Janeiro (Santos Dumont), para Vitória, Brasília e Pampulha (centro de Belo Horizonte) e também de Pampulha para Congonhas.

Leia mais no G1.

O assunto ainda é a movimentação das empresas aéreas brasileiras por melhores posições no mercado, prenunciando o acirramento de uma competição que o senso comum entende como salutar, mas que na prestação de serviço público, quase sempre, é mais danoso do que benéfico. Pelo menos para quem é mais importante nisso tudo: o usuário.

Na minha opinião, as tarifas podem ser baixas em função de uma gestão “enxuta”, de máxima eficiência. Porém, tão ou mais importante do que isso é que as empresas precisam ter um grande número de passageiros transportados com custos menores, devido à economia de escala. Leia o resto do artigo »

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Excesso de demanda?

Postado em 28 de agosto de 2008

Paulo Nogueira Batista Jr.

FOLHA DE SÃO PAULO - 28.08.08

NAS ÚLTIMAS semanas, os índices de preços vêm registrando quase sempre queda acentuada da inflação, culminando com a deflação no IGP-M divulgada ontem. O motivo desse recuo da inflação foi, como se sabe, a diminuição dos preços dos alimentos.

Os resultados recentes parecem confirmar que o principal fator de aceleração da inflação desde 2007 foi o choque externo de preços de alimentos, petróleo e outras commodities -o pior choque desse tipo desde a década de 1970. Com as cotações das commodities começando a ceder no mercado internacional, houve a inversão na tendência da inflação brasileira.

Obviamente, é cedo para cantar vitória, mas vale a pena reavaliar o que aconteceu nos meses recentes.

O Brasil foi menos atingido pela onda inflacionária do que a maioria dos países emergentes e em desenvolvimento. Nos 12 meses até julho, a inflação ao consumidor no Brasil alcançou 6,4%, não ficando muito acima da taxa nos EUA, que subiu para 5,6%. A maior parte dos principais países emergentes experimentou inflação superior à brasileira.

Paradoxalmente, a política monetária brasileira foi a que reagiu de maneira mais dura à alta da inflação.

Em muitos países, inclusive desenvolvidos, as taxas básicas são negativas em termos reais. Mesmo em economias emergentes claramente aquecidas, como as asiáticas, os bancos centrais elevaram a taxa de juro de maneira gradual, adotando em geral aumentos de 0,25 ponto percentual.

O principal argumento dos que defendem o uso agressivo da taxa Selic é que a economia brasileira estaria padecendo de excesso de demanda. Alguns chegaram a afirmar que a expansão da demanda seria a maior causa da alta da inflação. Podemos aceitar essa interpretação?

Bem, a economia é o reino da incerteza. Questões econômicas importantes tendem a ser polêmicas.

Eu me lembro de que na campanha presidencial de Lula, em 1994, havia um economista do PT que, com a melhor das intenções, recomendava evitar a discussão de temas que provocassem controvérsia entre economistas. Se a sugestão tivesse sido aceita, os assessores do candidato teriam ficado reduzidos a um silêncio total e absoluto.

De qualquer maneira, a interpretação não parece convincente. As informações disponíveis sugerem que há, sim, alguma pressão de demanda. Mas, como diz o ex-ministro Delfim Netto, só torturando os dados é que se consegue atribuir à demanda interna a principal responsabilidade pelo aumento recente da inflação.

É verdade que a inflação dos produtos não-comercializáveis do IPCA subiu de cerca de 4% no início de 2007 para mais de 8% em meados de 2008, o que poderia ser atribuído a excesso de demanda. Mas esse componente do IPCA inclui produtos “in natura” e alimentos fora do domicílio. Reflete, portanto, em alguma medida, choques de oferta doméstica agrícola e a alta de preços dos alimentos no exterior.

Os serviços no IPCA, quase todos não-comercializáveis internacionalmente, subiram relativamente pouco nesse período. A taxa de inflação dos serviços aumentou de 5,2% no início de 2007 para 5,8% em meados de 2008.

É exagero afirmar que a economia brasileira está operando a plena capacidade. Ainda existe considerável capacidade ociosa na indústria. As taxas de desemprego e subemprego diminuíram, mas continuam bastante elevadas.

Não teria chegado o momento de repensar a política monetária?

 

PAULO NOGUEIRA BATISTA JR., 53, escreve às quintas-feiras nesta coluna. Diretor-executivo no FMI, representa um grupo de nove países (Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago).

 

E-mail: pnbjr@attglobal.net

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polêmicas da Semana - Rússia, PIB, Carminha Jerominho, Reajuste - salário dos servidores públicos,Odebrecht, Juros, Michellle Obama, STF, Daniel Dantas

Postado em 26 de agosto de 2008

Por Katia Alves

Economia

  • A Rússia proibirá a partir de segunda-feira a importação de carne de frango de 19 empresas americanas e está estudando a possibilidade de acrescentar à lista outras 29, devido à falta de documentos que comprovem a segurança de seus produtos, indicou nesta sexta-feira o Rosselkhoznadzor (serviço russo de controle veterinário e fitossanitário). Para ler mais clique aqui
  • O governo espera que o PIB (soma das riquezas produzidas no país) cresça mais de 5% neste ano e considera um número “conservador” uma taxa de 4,5% para 2009. Para ler mais clique aqui
  • A Odebrecht “lamentou” as falhas encontradas pelas autoridades equatorianas em uma inspeção na usina hidrelétrica San Francisco, que iniciou suas operações no ano passado. Para ler mais clique aqui
  • Os juros do cheque especial bateram novo recorde em julho, passando de 159,1% para 162,7% ao ano, o maior nível desde agosto de 2003. Entre as operações de crédito pesquisadas pelo Banco Central, a taxa é a que mais cresce no ano, registrando alta de 24,6 pontos porcentuais até julho. Para ler mais clique aqui

Política

  • Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira durante uma operação Carminha Jerominho (PT do B), filha do vereador Jerominho Guimarães (PMDB), que está preso acusado de chefiar um grupo de milicianos no Rio de Janeiro. Para ler mais clique aqui
  • O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta sexta-feira duas medidas provisórias que reajustam os salários de cerca de 350 mil servidores públicos. Serão beneficiadas 54 categorias do funcionalismo público. Para ler mais clique aqui
  • No discurso mais esperado da primeira noite da Convenção Democrata, Michelle, mulher de Barack Obama, aproximou seu marido dos eleitores americanos. Apresentou o candidato como um homem comum, que cresceu em uma família de classe média e graças a muito esforço e trabalho duro conseguiu vencer na vida. A personificação do “sonho americano”. Para ler mais clique aqui
  • O Supremo Tribunal Federal (STF) deverá permitir a interrupção de gestações de fetos com anencefalia. Mas os ministros deverão impor algumas precauções para garantir que, antes do procedimento, fique certificado que de fato se trata de um feto com a anomalia. Entre as precauções estaria submeter a paciente a avaliação por uma junta médica, e não apenas por seu médico particular. Para ler mais clique aqui
  • A Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira, 25, nova prisão do dono do Banco Opportunity, o banqueiro Daniel Dantas. Para o subprocurador-geral Wagner Gonçalves, a prisão preventiva, revogada pelo presidente do STF, Gilmar Mendes, deve ser revista pois “houve supressão de instâncias e ofensa à jurisprudência do próprio Supremo”. Para ler mais clique aqui 

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Flexibiliade no mercado de câmbio

Postado em 25 de agosto de 2008

*Heldo Siqueira

Quando falamos em rigidez de preços, estamos falando em duas perspectivas diversas: 1) a rapidez com o qual o sistema de preços responde a choques de oferta ou demanda; e 2) o grau de distorção que o escalonamento de preços relativos permite como resposta a escassez relativa dos bens. Em um sistema econômico estacionário, não precisamos nos preocupar com distorções no escalonamento dos preços, afinal, os preços sempre tendem à sua escassez relativa. Assim, a questão é apenas descobrir a velocidade com a qual os preços tenderão aos “preços naturais”. Entretanto, em mercados não estacionários a rapidez dos ajustes pode amplificar a distorção dos preços relativos.

Na verdade, os movimentos repentinos nos preços provocam uma mobilização acentuada de recursos. Dessa forma, é impossível prever, com base nas informações anteriores a um choque, a perfeita alocação dos recursos. Mais que isso, o choque, dependendo de quanto mobiliza recursos, modifica o ponto de equilíbrio de longo prazo. Esse é o conceito de “path dependence” segundo o qual, o ponto de equilíbrio do sistema depende do caminho que foi trilhado.

Esse parece ser o caso do mercado de dólares. Vários dos novos países industrializados utilizam a política monetária para manter suas moedas desvalorizadas. Assim, tornam suas exportações mais competitivas e, dessa forma, sustentam seu desenvolvimento. Chegamos a um momento no mercado internacional, dada a crise dos sub-prime, no qual a manutenção do endividamento das famílias americanas era insustentável. Houve, então, um movimento de desvalorização do dólar que tornou a dívida americana relativamente menor. Ou seja, os americanos ficaram relativamente mais pobres, mas menos endividados, podendo-se endividar novamente. Como contrapartida, provocou esse movimento provocou o aumento da maior parte dos preços das “commoditties” cotados no mercado internacional. Dessa forma, a maioria dos países passou a importar inflação dos americanos, sem que nada pudessem fazer para deter esse movimento.

Por outro lado, há nesse momento, uma nova tendência para a valorização do dólar e, conseqüentemente, para deflação nos preços cotados no mercado internacional. Ou seja, o movimento que aumentou os índices de inflação das principais economias do mundo deve regredir e devemos ter o dólar voltando à estabilidade. Por essa perspectiva, a diminuição nos principais índices mensais de inflação - e principalmente os IGP´s, que são mais sensíveis ao câmbio - está completamente descolada da política de juros do Banco Central.

Na verdade, é provável que o aperto monetário tenha sido maior que o necessário e tenhamos que pagar a conta em menos postos de trabalho criados. Tudo por precipitação dos nossos gestores de política monetária.

* Heldo Siqueira: gremista, economista graduado na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Trabalho na Assessoria de Planejamento do IDAF-ES (Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo). Meus Artigos

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Os paraísos fiscais e a licença para fraudar

Postado em 25 de agosto de 2008

Por Mauro Santayana

JORNAL DO BRASIL - 25.08.08

O procurador-geral de Nova York, Andrew Cuomo, fechou, na semana passada, acordo com a Merril Lynch, a Goldman Sachs, o Deutsche Bank e outras operadoras no mercado de capitais, para que recomprem créditos podres, no valor de US$ 50 bilhões, e paguem mais de US$ 160 milhões de multa. A Merrill Lynch e a Goldman Sachs já se envolveram antes, junto com o Citigroup, a Lehman Brothers, a Morgan Stanley, em fraudes fiscais - sobretudo no caso Enron, de 2001 a 2003 - quando também foram multadas.

O controle das empresas pelo capital financeiro expulsou os empreendedores que as criaram, substituindo-os por profissionais, que, em sua maioria, têm como norma obter grandes e rápidos lucros. O mito da eficiência desses executivos começa a cair, uma vez que as empresas controladas pelas famílias fundadoras mostram mais solidez e melhores resultados operacionais. Falta a esses administradores, indicados pelo poder financeiro, o vínculo cultural com o negócio que comandam. Os escândalos se sucedem, sempre crescentes, principalmente depois da Presidência Reagan nos Estados Unidos. Seu governo isentou de imposto de renda os lucros obtidos pelas empresas norte-americanas no exterior, e assegurou a independência do capitalismo com relação aos governos nacionais. Criaram-se as empresas off-shore e se abriram os paraísos fiscais. Não há, neles, nada de concreto. Na maioria dos casos, endereço único, com caixa postal para dezenas de empresas, que não operam nesses refúgios, porque são off-shore. Flutuam no espaço cibernético, como os barcos corsários flutuavam nos mares, fora da jurisdição dos Estados, com o direito oficial de saquear navios de outras bandeiras. O dinheiro está depositado nos grandes bancos norte-americanos, ingleses, suíços. A contabilidade funciona em rede: as multinacionais controlam, de sua sede, os negócios no mundo inteiro. O pulo do gato está na contabilidade dos negócios que realizam no interior de seu próprio conglomerado empresarial, para sonegar o fisco e cometer outras fraudes, como a remessa indevida de lucros.

Mediante a triangulação nos paraísos fiscais, superfaturam as exportações, obtendo, no retorno, remessas disfarçadas de lucros. Por outro lado, promovem a integralização de capital com sucatas supervalorizadas e o aumento artificial dos custos operacionais. Isso ocorre, sobretudo, quando transferem instalações industriais obsoletas, e as registram com valores altíssimos nos países de destino, o que autoriza pagamento de juros e dividendos fraudados, que, por sua vez, são distribuídos pelas empresas fictícias, normalmente na terceirização de serviços que não existem, em comissões e pagamento de consultoria. É tirar de um bolso, engrossar o bolo, e colocar no outro. Não pagam os tributos devidos em nenhum país. Calcula-se que se encontrem fora de controle, registrados nos paraísos fiscais, mais de US$ 3 trilhões.

Depois do escândalo da Enron e outras empresas, o Congresso dos Estados Unidos aprovou, praticamente por unanimidade, em 2002, o Sarbanes Oxley Act que ampliou para 20 anos a prisão de criminosos de colarinho branco, e instituiu um órgão de supervisão da contabilidade das empresas, o Public Company Accouting Oversight Board. Com isso, cuidaram de proteger os seus investidores. Mas, mesmo assim, não conseguiram.

É hora de o governo brasileiro intervir a fim de impedir a remessa indevida de lucros. Somente no primeiro semestre deste ano, foram remetidos para o exterior, a título de lucros e dividendos, o total de US$ 18,993 bilhões, praticamente o dobro do ano passado (US$ 9,807 bilhões). Entre outras providências saneadoras, está tramitando, no Congresso, proposta de lei do deputado Chico Alencar, do Rio de Janeiro, estabelecendo o imposto de 15% sobre a remessa de lucros - hoje isenta de tributação e do controle nacional.

Para coibir a fraude das empresas multinacionais, os órgãos de representação dos profissionais de contabilidade sugerem legislação que abra a contabilidade das empresas estrangeiras à fiscalização do governo. Só os contadores são capazes de identificar os ilícitos, muitas vezes cometidos com a cumplicidade de autoridades locais. Por isso, o ex-presidente Itamar Franco foi contestado com violência, quando quis nomear um professor de contabilidade para a diretoria do Banco Central.

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Especuladores en las bombas

Postado em 25 de agosto de 2008

by Thomas Palley

Versão em inglês

Hasta hace unas semanas, cuando los precios del petróleo estaban en alza, existía un debate encendido sobre los roles relativos de los fundamentos económicos y la especulación a la hora de fomentar los precios del petróleo. Si bien los precios del petróleo ya han caído del pico que alcanzaron, no debe olvidarse ese debate, ya que tiene profundas implicancias políticas que los funcionarios del gobierno harían mal en ignorar.

Por supuesto, si los precios más altos se deben a los fundamentos, los mercados petroleros están funcionando como deberían. Pero si se deben a la especulación, entonces los estrategas políticos deben tomar medidas para refrenar cualquier comportamiento que haya impuesto costos inmensos e innecesarios a la economía global. Y, cuando se confronta la evidencia, todo apunta a la especulación como culpable.

Mientras que muchos participantes del mercado petrolero han culpado a la especulación, la mayoría de los economistas defienden cómo se desempeñaron los mercados petroleros y le apuntan a los fundamentos económicos. Un argumento que utilizan los economistas es que los precios más elevados se deben al dólar débil. Como el petróleo se cotiza en dólares, un dólar débil hace que el petróleo les resulte más económico a los usuarios de otros países, lo que aumenta la demanda global.

Un segundo argumento es que los precios más altos del petróleo se deben a las tasas de interés más bajas y a previsiones de precios más elevados a largo plazo. Eso supuestamente redujo la oferta al alentar a los productores a almacenar petróleo bajo tierra y bombearlo más tarde.

Un tercer argumento es que si ha de culparse a la especulación por los aumentos de precios, debería haberse producido un incremento en los inventarios de petróleo, porque los especuladores no consumen petróleo sino que lo almacenan para una venta posterior. Dado que no se ha producido un aumento en los inventarios, no hubo ninguna especulación.

Los tres argumentos son débiles. El precio del petróleo ha aumentado mucho más de lo que ha caído el dólar. Eso significa que los precios del petróleo aumentaron en otros países, lo que debería haber reducido, no aumentado, la demanda. Es más, son los altos precios del petróleo los que debilitaron al dólar, no viceversa. Esto es porque los altos precios del petróleo hicieron subir la inflación en Estados Unidos, agravaron el déficit comercial norteamericano y aumentaron la posibilidad de una recesión en Estados Unidos al actuar como un impuesto al gasto de los consumidores.

Tampoco hubo ningún informe de recortes inusuales de producción -el eje central del segundo argumento-. Por cierto, la suba de los precios del petróleo en realidad les ofrece a los productores independientes un incentivo para fomentar la producción. La última vez que los precios reales del petróleo alcanzaron los niveles actuales fue en 1980, lo que demuestra que acaparar petróleo bajo tierra puede ser un mal negocio. La OPEP también tiene un fuerte interés en sostener la producción. Quiere mantener más bajos los precios para que perdure la adicción al petróleo de la economía global y para desalentar la sustitución tecnológica con fuentes de energía alternativas.

Finalmente, el argumento del almacenamiento no reconoce los diferentes tipos de inventarios. En consecuencia, los precios especulativos récord probablemente hayan hecho que los operadores de combustible marítimo liberaran inventario, pero esas remesas pueden haber sido compradas por especuladores que hoy son arrendatarios activos de capacidad de almacenamiento comercial. La implicancia es que los especuladores pueden hacer subir los precios y aumentar sus inventarios aunque los inventarios comerciales totales no sufran demasiados cambios.

Por otra parte, la especulación del mercado petrolero puede haber inducido una “especulación en eco”, a través de la cual los usuarios finales compran productos refinados con anticipación para protegerse de alzas de precios futuras. Luego aceptan entregas en sus instalaciones de manera que los inventarios refinados totales aumentan, sin que ese aumento forme parte de los inventarios comerciales reportados.

Demostrar que la especulación es responsable de los precios más altos siempre resulta difícil, porque tiende a producirse en un contexto de fundamentos fuertes. Sin embargo, existe una evidencia considerable que indica claramente una especulación rampante en los mercados petroleros de hoy. Una señal clave es el cambio documentado en el carácter de la comercialización de petróleo, donde los especuladores (es decir, las instituciones financieras y los fondos de inversión) hoy representan el 70% de las operaciones, comparado con el 37% hace siete años.

Con respecto a los fundamentos del mercado, no se han producido cambios en las condiciones de demanda y oferta que expliquen la magnitud del salto no anticipado de los precios del petróleo. Es más, el comportamiento real de los precios del petróleo es consistente con la especulación. En junio, los precios del petróleo saltaron 11 dólares en un día, y en julio volvieron a caer 15 dólares en tres días. Esta volatilidad no encuadra en un mercado movilizado por los fundamentos.

A pesar del tamaño del mercado petrolero, la especulación puede mover los precios debido a la falta de elasticidad de la demanda y la oferta. Los cambios en la demanda de petróleo son lentos debido a la inercia actitudinal y la tecnología fija, mientras que ajustar la producción lleva tiempo. Estas características hacen que el mercado petrolero sea vulnerable a la especulación.

Estas compras especulativas apenas pueden registrarse en los inventarios, porque las compras son pequeñas comparadas con el mercado general, y por los muchos márgenes de acomodamiento del sistema de almacenamiento global. Como resultado, los precios altos impulsados por la especulación pueden persistir un tiempo considerable antes de que los fundamentos económicos los hagan bajar, como finalmente parece estar sucediendo.

Con los precios en caída, el imperativo para actuar inevitablemente tiende a ceder. Esta es la naturaleza de la respuesta actitudinal a la crisis y por qué un mal status quo puede persistir. Pero dejar el sistema sin cambios mantendrá la vulnerabilidad de la economía global a futuros brotes de especulación que no nos podemos permitir.

Consideremos cómo el brote actual hizo aumentar la inflación global, redujo los ingresos de los pobres del mundo, debilitó el dólar, profundizó el déficit comercial norteamericano, agravó la inestabilidad financiera global e incrementó la posibilidad de una recesión global. Ese es un proceso arrollador que merece una acción política urgente.

Thomas Palley fue economista jefe en la Comisión de Revisión Económica y de Seguridad de Estados Unidos-China y es autor de Post-Keynesian Economics (Economía post-keynesiana).

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