Blog do Desemprego Zero

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Da era petrolífera para a biocivilização

Postado em 11 de agosto de 2008

Por: Luciana Sergeiro 

Vistos com uma ampla perspectiva, o encarecimento do petróleo e a recuperação dos preços dos alimentos se mostrarão positivos se nos ajudarem a nos libertarmos da dependência do petróleo e a melhorar a vida dos pequenos agricultores em lugar de beneficiar as multinacionais da alimentação.  

O começo da terceira grande transição coincide com o esgotamento dos mais importantes modelos de desenvolvimento, que dominaram o cenário desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Para alguns observadores, a recente crise financeira anuncia o início do fim do neoliberalismo. Por sua vez, a social-democracia está presa na situação de “sim à economia de mercado, não à sociedade de mercado”. É por isso que, condenada a inventar novos modelos, a próxima geração se dirigirá a inexplorados e excitantes territórios. 

Publicado em: Agência Carta Maior

Por: Ignacy Sachs

A prolongada evolução conjunta do gênero humano e da biosfera foi marcada no passado por duas grandes transições. A primeira, ao passar da coleta e da caça para a agricultura e criação de animais, ocorreu muitos milhares de anos atrás. A segunda, a era dos abundantes e baratos combustíveis de origem fóssil (carvão, petróleo e gás) começou há poucos séculos. Agora estamos no umbral da terceira grande transição, que deixará para trás a era do petróleo e, esperamos, de toda a energia de origem fóssil. A transição levará décadas, mas, segundo muitos indícios, já começou, empurrada pela alta espetacular dos preços do petróleo e pela recuperação dos preços dos alimentos.

Quando analisarem os acontecimentos de nosso tempo, os futuros historiadores verão a era da “energia fóssil” como um breve, mas acidentado, interlúdio que provocou um grande aumento da população mundial. Agora somos 6,7 bilhões de habitantes, e estima-se que seremos 9 bilhões em meados deste século, com a maioria da humanidade vivendo em áreas urbanas. Mas, apresentam-se dois grandes e iminentes desafios: o de uma potencialmente catastrófica mudança climática e o dilema de uma abismal desigualdade social, de mãos dadas com um crônico e severo déficit de oportunidades para a obtenção de trabalho decente.

Para evitar o aquecimento do clima, devido às excessivas emissões de gases causadores do efeito estufa, devemos modificar drasticamente nossas pautas de uso da energia. Para conseguirmos isso são necessárias três coisas: redução do consumo de energia por meio de uma mudança nos padrões de consumo e de estilos de vida; melhoria da eficiência energética; substituição dos combustíveis fósseis pelas diferentes energias renováveis (solar, eólica, hidráulica, marinha e biomassa). Leia o resto do artigo »

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Agricultores recebem para preservar suas terras

Postado em 22 de julho de 2008

Por Beatriz Diniz

O artigo abaixo, de Durval Guimarães, se refere ao desmatamento que vem acontecendo de forma intensa nos últimos tempos. O autor faz sua citação direcionada ao estado de Minas Gerais que tem o desmatamento como uma atividade econômica significativa. Como forma de minimizar tal degradação, o governo do estado teve como iniciativa a criação do Programa de Recuperação da Mata Atlântica, que tem como uma das medidas pagar os agricultores que prestam serviços ambientais em suas propriedades. Esta medida além de evitar o desperdício de terras para alimentação de gado, beneficia diretamente a preservação ambiental e incentiva os grandes fazendeiros a preservar as espécies da Mata Atlântica. Claro que o ideal de iniciativa de governo seria distribuir as terras utilizadas para pasto ao trabalho agrícola, no entanto a iniciativa já é um avanço diante da complexidade de questões que envolvem a questão agrária associada a degradação ambiental.

Fonte:Revista Desafios

Por Durval Guimarães, de Belo Horizonte

Por toda parte, o abate indiscriminado de florestas é geralmente a ação de pecuaristas ou agricultores que consideram mais conveniente investir cinqüenta centavos numa caixinha de fósforos e atear fogo na propriedade do que alugar um trator a R$ 50,00 por hora para arar a terra, ou simplesmente derrubam árvores para abrir novas frentes de produção.

Em Minas Gerais, no entanto, o desmatamento é uma atividade econômica gigantesca, que mobiliza exércitos de pessoas e incontáveis quadrilhas de estrutura empresarial. As árvores abatidas têm larga utilidade industrial. Elas são amontoadas em fornos clandestinos e transformadas em carvão que vai movimentar as usinas siderúrgicas.

Para produzir uma tonelada de aço é necessário juntar, num alto-forno, minério de ferro e carvão vegetal em quantidades equivalentes. O carvão fornece o carbono dessa composição, que resultará na produção do ferrogusa - a primeira etapa industrial na produção do aço. Leia o resto do artigo »

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Estado do Rio atrai investimento recorde

Postado em 21 de julho de 2008

Por: Luciana Sergeiro

Ao se analisar a relação de empreendimentos previstos para o Rio, a Petrobras se situa como o principal investidor. Sozinha, estima a Secretaria de Desenvolvimento, a empresa deve desembolsar US$ 24,5 bilhões no estado em projetos de petróleo até 2010. A companhia também é a principal investidora do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

O estado se transformará na capital da petroquímica da América Latina. A Firjan estima que o empreendimento aumente em 300% a produção de plásticos no estado, com impacto de até 7% sobre o PIB fluminense.

Publicado em: Gazeta Online (restrito a assinantes)

Por: Ana Cecília Americano

O Estado do Rio de Janeiro deverá se transformar num imenso canteiro de obras nos próximos dois anos. São esperados investimentos públicos e privados que variam de R$ 107 bilhões, segundo levantamentos da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a R$ 122 bilhões, de acordo com a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços. Lideram os investimentos os setores de petróleo e gás, siderurgia, petroquímica e logística.

“Este é o melhor momento em trinta anos para o Brasil e, em particular, para o Rio de Janeiro”, afirma Ernani Torres, superintendente da área de pesquisa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Não tivemos um ciclo de investimento público como o que estamos vendo hoje desde Carlos Lacerda”, afirma Julio Bueno, secretário estadual de Desenvolvimento. “Estamos fazendo hoje no Rio de Janeiro o maior investimento da história da ThyssenKrupp em todo o mundo”, diz Rodrigo Tostes, diretor comercial da siderúrgica multinacional.

“Esse fenômeno está consistente com as projeções que fazemos para o Brasil”, afirma Torres. Segundo ele, o investimento no País deverá chegar a 21% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2010. Para o economista, alguns investimentos simplesmente estão dados, ainda que indicadores da economia variem negativamente. É o caso dos setores de capital intensivo, a exemplo do petróleo. E, no Rio de Janeiro, ocorre a feliz coincidência de o grosso do petróleo da bacia de Campos estar situado bem em frente ao estado.

O mesmo ocorre com os setores de extração mineral e siderurgia. “O Brasil deverá dobrar sua capacidade de produção de aço em 5 anos e o investimento virá para cá, com a economia indo bem ou mal, com altas ou baixas taxas de juros”, aposta Torres. Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, presidente da Firjan, enxerga a vocação logística do estado como outro fator decisivo para o novo ciclo de investimentos em curso. “No Rio, se você colocar o compasso no centro do estado e rodá-lo num raio de 500 quilômetros, ele incluirá quase 70% do PIB do País, incluindo São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.” Vieira acredita que a infra-estrutura do estado é a mais lógica para escoar mercadorias do Centro-Oeste, Minas Gerais e São Paulo. “O porto de Santos tem suas limitações físicas e somos uma alternativa econômica atraente”, resume. Leia o resto do artigo »

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CIDADÃO DO MERCOSUL

Postado em 14 de julho de 2008

Por Beatriz Diniz

Segue abaixo as palavras de agradecimento de Eduardo Galeano, que no dia 3 de julho foi intitulado Primeiro Cidadão Ilustre da Região pelos países do Mercosul. Palavras de natureza poética que descreve da forma mais peculiar a particularidade histórica da América Latina.

Publicado originalmente na Carta Maior

Eduardo Galeano, as palavras e a alma da América Latina

Colar de histórias

Nossa região é o reino dos paradoxos.

Tomemos o caso do Brasil, por exemplo:

paradoxalmente, Aleijadinho, o homem mais feio do Brasil, criou as mais altas belezas da arte da época colonial;

paradoxalmente, Garrincha, arruinado desde a infância pela miséria e a poliomielite, nascido para a desgraça, foi o jogador que mais alegria ofereceu em toda a história do futebol;

e, paradoxalmente, Oscar Niemeyer, que já completou cem anos de idade, é o mais novo dos arquitetos e o mais jovem dos brasileiros. Leia o resto do artigo »

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Sem projeto e sem debate

Postado em 19 de junho de 2008

Em entrevista a CartaCapital, o geógrafo Aziz Ab’Saber, professor da USP mostrou-se bastante preocupado com as questões ambientais em relação a Amazônia. Considera que falta planejamento para o desenvolvimento da Amazônia, segundo ele deveriam ser reunidas pessoas competentes como geógrafos, geólogos, sociólogos, indigenistas para estudar a Amazônia.

É preciso é evitar que o agronegócio faça o que queira com a floresta a seu favor, sempre, para que este não se torne um problema para a Amazônia. Aziz diz que tem que se ter cuidado com o desenvolvimento da Amazônia, e ressalta que tudo deve ser feito de forma a evitar o favoritismo do neocapitalismo.

Por: Luciana Sergeiro

Publicado em: CartaCapital

Aos 83 anos, o geógrafo Aziz Ab’Saber, professor emérito da USP, continua a ser uma das cabeças mais lúcidas do País. E continua a se preocupar com as questões ambientais, agora com um único foco: alertar para a necessidade de se planejar mais, sobretudo em relação à Amazônia.

CartaCapital: Falta planejamento no caso da Amazônia?

Aziz Ab`Saber: Total. Qualquer coisa que diga respeito a um projeto é feita sem previsão de impacto, sem delimitação de subáreas. Na questão amazônica, cheguei a fazer um mapinha das 23 células espaciais e mandei para o Lula quando assumiu a presidência, com uma carta dizendo que deveria reunir em Brasília pessoas competentes, geógrafos, geólogos, sociólogos, indigenistas para estudar cada uma delas. Depois, se organizariam seis comissões com pós-graduandos e técnicos para ir até as células, comparando os problemas, que são muito variados. Mas alguém rasgou a carta, eles não querem a opinião de ninguém. Uma das minhas críticas ao governo Lula é a falta de democracia no debate das idéias.

CC: O sr. diz que anda aflito com a questão da reserva indígena Raposa-Serra do Sol. Por quê?

AAS: Ali existem dois grupos: um que quer a descontinuidade de posse da reserva e outro que quer manter integralmente o território que foi demarcado. Mas o governador de Roraima quer simplesmente resolver o problema dos arrozeiros, que são só uma parte do problema. Em minha opinião, a primeira coisa a fazer seria um plano de Buffer Zone (zona tampão), porque os que estão além da linha demarcada oficialmente vão ter interesse em penetrar naquela área pelos mais variados motivos. Isto implica um planejamento correto, porque tem um grande trecho que fica na fronteira e a reserva é enorme. Na área onde estão os arrozeiros, eles devem continuar, e os recursos ganhos têm que ser destinados a favor dos grupos indígenas regionais, numa proporção mínima de 30% a 50% do valor da produção, sob o controle de um organismo independente. A presença do Estado, a favor dos índios e não do neocapitalismo, se faria a cada cinco quilômetros nessa faixa, com um centro cultural, um parque para crianças indígenas, hospital, escolas bilíngües, e assim por diante. Na parte mais norte, seriam instalados alguns alojamentos para cientistas. Leia o resto do artigo »

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Sem projeto e sem debate

Postado em 18 de junho de 2008

Fonte: Carta Capital n. 500 

Aos 83 anos, o geógrafo Aziz Ab’Saber, professor emérito da USP, continua a ser uma das cabeças mais lúcidas do País. E continua a se preocupar com as questões ambientais, agora com um único foco: alertar para a necessidade de se planejar mais, sobretudo em relação à Amazônia.

CartaCapital: Falta planejamento no caso da Amazônia?

Aziz Ab`Saber: Total. Qualquer coisa que diga respeito a um projeto é feita sem previsão de impacto, sem delimitação de subáreas. Na questão amazônica, cheguei a fazer um mapinha das 23 células espaciais e mandei para o Lula quando assumiu a presidência, com uma carta dizendo que deveria reunir em Brasília pessoas competentes, geógrafos, geólogos, sociólogos, indigenistas para estudar cada uma delas. Depois, se organizariam seis comissões com pós-graduandos e técnicos para ir até as células, comparando os problemas, que são muito variados. Mas alguém rasgou a carta, eles não querem a opinião de ninguém. Uma das minhas críticas ao governo Lula é a falta de democracia no debate das idéias.

CC: O sr. diz que anda aflito com a questão da reserva indígena Raposa-Serra do Sol. Por quê?

AAS: Ali existem dois grupos: um que quer a descontinuidade de posse da reserva e outro que quer manter integralmente o território que foi demarcado. Mas o governador de Roraima quer simplesmente resolver o problema dos arrozeiros, que são só uma parte do problema. Em minha opinião, a primeira coisa a fazer seria um plano de Buffer Zone (zona tampão), porque os que estão além da linha demarcada oficialmente vão ter interesse em penetrar naquela área pelos mais variados motivos. Isto implica um planejamento correto, porque tem um grande trecho que fica na fronteira e a reserva é enorme. Na área onde estão os arrozeiros, eles devem continuar, e os recursos ganhos têm que ser destinados a favor dos grupos indígenas regionais, numa proporção mínima de 30% a 50% do valor da produção, sob o controle de um organismo independente. A presença do Estado, a favor dos índios e não do neocapitalismo, se faria a cada cinco quilômetros nessa faixa, com um centro cultural, um parque para crianças indígenas, hospital, escolas bilíngües, e assim por diante. Na parte mais norte, seriam instalados alguns alojamentos para cientistas. Leia o resto do artigo »

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Pondo a Amazônia em seu devido lugar

Postado em 30 de maio de 2008

O Estado brasileiro tem, portanto, essencial e prioritária responsabilidade com a preservação da integridade do território nacional, isto é, em sua extensão e qualidade. Trata-se de cuidar para que os futuros brasileiros se encontrem amparados por uma reserva de recursos no mínimo equivalente àquela de que a geração atual dispõe.

*Por Katia Alves

Wanderley Guilherme dos Santos

Publicado originalmente no Valor 

A Amazônia é matéria de soberania. Em segundo lugar, apresenta desafio à promoção de um desenvolvimento ecologicamente sustentável. Em último caso, trata-se de integrá-la a qualquer custo imediato. Integrar a Amazônia e o Centro-Oeste. Depõe a história que a sustentabilidade é recuperável - até animais extintos são trazidos à vida pela reprodução do DNA. A perda de território nunca foi. Não existem dois mapas geográficos iguais entre si. Quero dizer, mapas históricos ou contemporâneos. Sem dúvida, fauna, flora e epiderme do planeta têm sido profundamente sacrificadas pela intervenção humana, século após século, mas o traçado de fronteiras e o poderio dos países são igualmente mortais. Nenhum império resiste ao tempo (lembrar o império soviético), mas pode durar bastante, vide o império romano.

A propósito, os Estados Unidos não param de expandir-se ao Norte, ao Sul, a Oeste e, pelo estacionamento de tropas, também a Leste, tendo colaborado para modificações geográficas em, pelo menos, três continentes. Nem sempre pelo convencimento ideológico. Na contabilidade de Robert Kagan, estrategista da Carnegie Endowment for International Peace, “entre 1989 e 2001, os Estados Unidos intervieram no exterior, pela força, mais freqüentemente do que em qualquer outro período de sua história - com média de uma nova ação militar significativa a cada 16 meses - e muito mais do que qualquer outro poder no mesmo espaço de tempo”. (”The Return of History and the End of Dreams”, 2008, pág. 50).

Francis Fukuyama, depois de analisar as crises internacionais que ocorreram no mesmo período, em “State-Building - Governance and World Order in the 21st Century” (2004), aconselha aos americanos que exportem, por assim dizer, estruturas estatais de preferência a instituições políticas democráticas. Segundo Kagan, o mundo não deve alimentar dúvidas sobre o provável comportamento dos Estados Unidos no desenrolar do atual conflito entre as democracias e o que ele designa por autocracias. Leia o resto do artigo »

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Novo Nordeste, novas esperanças

Postado em 29 de maio de 2008

Nos dias 15, 16 e 17 deste mês de maio, aconteceu o seminário O novo Nordeste e o Brasil. Participaram do encontro governador Wellington Dias; os ministros da Secretaria Geral da Presidência da República, Luiz Dulci, e da Cultura, Gilberto Gil, entre outros.

Foi ressaltado no encontro que a região ainda se encontra distante dos níveis da média nacional, do Sudeste e do Sul quanto, por exemplo, à escolaridade, afirmou a economista, Tânia Bacelar. Se observar para a relação entre a população e o valor do PIB, a discrepância também não é pequena.

O nordeste cresce um pouco acima da média nacional desde meados dos anos 90, o que vai implicar na queda da emigração: entre 1986 e 1991, pouco mais de 869 mil pessoas saíram do Nordeste para outras regiões.

*Por Katia Alves

Por Emiliano José

Publicado originalmente na Carta Capital 

A descoberta de um novo Nordeste. A ressurreição da questão regional no Brasil. O crescimento econômico da região em ritmo maior do que a média brasileira. O aumento do consumo numa proporção bem maior do que no resto do País. A impressionante transformação política, com a autonomia da cidadania e o reflexo disso na eleição de governadores afinados com as teses reformistas e progressistas. Esses foram alguns dos temas que afloraram com intensidade no seminário O novo Nordeste e o Brasil, realizado em Teresina, no Piauí, nos dias 15, 16 e 17 deste mês de maio, promovido pela Fundação Perseu Abramo. Temas que animaram os participantes, abrindo perspectivas para o enfrentamento dos enormes desafios que a região enfrenta desde tempos imemoriais.

Participaram do seminário, entre outros, o governador Wellington Dias; os ministros da Secretaria Geral da Presidência da República, Luiz Dulci, e da Cultura, Gilberto Gil; o coordenador da bancada do Nordeste, deputado federal Zezéu Ribeiro, do PT, José Machado, diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (Ana), além do presidente e do vice-presidente da Fundação Perseu Abramo, Ricardo Azevedo e Nilmário Miranda, respectivamente.

A economista Tânia Bacelar, que fez a conferência central do seminário - Um projeto para o Nordeste brasileiro - não deixou de ressaltar, no entanto, o quanto a região ainda se encontra distante dos níveis da média nacional, do Sudeste e do Sul quanto, por exemplo, à escolaridade. Enquanto a média nordestina da população ocupada com 10 anos e mais é de 6 anos de estudos, a nacional é de 7,6 anos, a do Sudeste de 8,5 anos e a do Sul de 8 anos. Leia o resto do artigo »

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Um passo adiante

Postado em 29 de maio de 2008

David Kupfer

Fonte: Valor Econômico (28/05/2008)

No último dia 12, o governo federal lançou uma nova política industrial, agora denominada Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP). Como é usual, o exame de propostas de política requer considerar duas dimensões distintas: a sua concepção, que pertence ao mundo abstrato dos conceitos, objetivos e estratégias; e a sua implementação, que está circunscrita à realidade dos instrumentos, iniciativas e atores encarregados da sua colocação em prática. Noves fora aqueles que não leram e mesmo assim não deixaram de opinar favorável ou contrariamente à proposta, a PDP não é exceção, de sorte que não é possível analisá-la sem percorrer, mesmo que rapidamente, essas duas dimensões. 

Em termos da concepção, a PDP é bastante ousada pois almeja atacar simultaneamente três eixos de promoção e sustentação do desenvolvimento econômico, obviamente interconectados, mas nem por isso de entrosamento trivial. Um primeiro eixo é dado pelo fomento ao investimento, essencialmente uma ação sobre a oferta. Inclui-se aí a meta de expandir o investimento fixo dos atuais 17,6% do PIB para 21% do PIB em 2010, o que significa uma taxa de crescimento médio anual de 11,3%. Um segundo eixo é dado pela dinamização do mercado, englobando ações mais focadas na demanda. É nesse contexto, mais amplo do que simplesmente o da geração de saldos comerciais, que devem ser encaixadas as metas de ampliação da participação do Brasil na corrente de comércio mundial dos atuais 1,18% para 1,25%, e de aumento em 10% do número de pequenas e médias empresas exportadoras. Um terceiro eixo é dado pela tecnologia, que se relaciona tanto à oferta quanto à demanda e, por isso mesmo, é a chave para o sucesso da PDP. A meta de expansão do gasto em P&D das empresas de 0,5% para 0,65% do PIB de hoje até 2010 é evidência sugestiva da ênfase conferida ao esforço de inovação na nova política. 

A Política de Desenvolvimento Produtivo não supera os problemas de gestão e coordenação intra-setor público, e entre esse e o privado. 

Para fazer girar simultaneamente os seus três eixos centrais, a PDP propõe uma estratégia abrangente e multifacetada, apoiada em três programas de ação distintos. Estão aí incluídas políticas horizontais para lidar com as externalidades que possam beneficiar o conjunto do tecido produtivo e programas especiais voltados para temas como a questão regional (intra-nacional e internacional), as pequenas e médias empresas, as exportações, etc. Cabe destacar, porém, o terceiro grupo de iniciativas, denominadas políticas estruturantes, criadas com base em cinco diferentes objetivos - liderança mundial; conquista de mercados externos; focalização em áreas estratégicas, geralmente associadas à alta tecnologia; diferenciação de produtos em nichos de mercado; e ampliação do acesso da população brasileira a bens e serviços de consumo - cada qual definido em função de uma visão global da dinâmica industrial brasileira, das diferentes oportunidades e ameaças enfrentadas pelos diferentes setores da indústria e da capacidade de resposta das empresas. É essa formulação estratégica, e a pertinência do diagnóstico subjacente ao seu desenho, o principal ponto positivo da PDP.  Leia o resto do artigo »

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Os vários desafios das pequenas e médias empresas latino-americanas

Postado em 29 de maio de 2008

Os vários desafios das pequenas e médias empresas latino-americanas

Fonte: Wharton Universia

As pequenas e médias empresas (PMEs) respondem por cerca de 90% a 98% das unidades produtivas na América Latina, gerando cerca de 63% do emprego disponível, além de participarem com cerca de 35% a 40% do produto total da região, de acordo com os mais recentes estudos de organismos como o Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Comissão Econômica para a América Latina (Cepal).

As PMEs estão espalhadas por todos os setores, do comércio à indústria, no segmento de serviços, saúde e no sistema financeiro. De acordo com estatísticas do Banco Mundial, elas constituem a fibra-mestra do tecido social de todo o continente, já que se encontram em grandes centros urbanos, cidades de porte intermediário, pequenas populações e nas mais remotas e distantes regiões rurais - uma vez que, no campo,  essas empresas estão presentes nas mais diversas atividades da produção agropecuária.

Contudo, as PMEs padecem de diversos problemas que lhes roubam eficiência, produtividade e competitividade. “São tantas suas dificuldades quanto o número de empresas existentes, e embora não haja governo que não as incorpore às suas políticas sociais - através de leis, decretos e resoluções que possam beneficiá-las - seu atraso em relação à grande empresa é significativo”, afirma Jorge Yarce Maya, presidente do Instituto Latino-americano de Liderança, consultor internacional e professor universitário. Leia o resto do artigo »

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LIÇÕES DAS DUAS DÉCADAS DE UNIÃO EUROPÉIA

Postado em 28 de maio de 2008

RIVE GAUCHE

 

Léo Nunes - Paris - Martin Wolf publica hoje artigo no jornal Valor Econômico (clique aqui só para assinantes) em que exalta as conquistas da União Européia, especialmente a adoção do euro. O texto ressalta três conquistas do euro: (i) a diminuição do déficit fiscal em relação ao PIB, (ii) a diminuição das taxas de juros reais e (iii) o aumento de sua importância como reserva de valor.

 

Entretanto, o próprio autor reconhece o pífio crescimento econômico da zona do euro, menor do que em outros tempos e menor do que a dos congêneres europeus que não aderiram à moeda única, e a dificuldade em superar as assimetrias entre os diferentes países.

 

Como é sabido, a adoção de uma moeda única retira dos países a autonomia no que concerne à política monetária. Num ambiente de liberalização das finanças e supremacia do ideário liberal, pouco espaço resta para utilização da política fiscal, o que obstaculiza ainda mais as ações de política econômica.

 

Além disso, diferentes custos unitários relativos de mão-de-obra, diferentes níveis de produtividade e de fontes de dinamismo criam sérios empecilhos para o bom funcionamento do euro.

 

Portanto, o sucesso da moeda européia é relativo. Sua estabilidade e valorização foram benéficas principalmente aos mercados financeiros na medida em que estabilizaram e valorizaram os preços dos ativos. Resta saber quando virão os benefícios em termos de crescimento econômico e geração de emprego.

 

 

Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa. Meus Artigos

 

Clique aqui para ler nosso manifesto.

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A América Latina: males de origem

Postado em 28 de maio de 2008

Rodrigo de Almeida

Livro: Livraria Cultura

O inevitável: sempre que o nome deste historiador é sublinhado por algo ou alguém, recorre-se à pergunta - por que não se fala neste Manoel Bonfim? Por que poucos sabem dele? Por que não exerceu influência no pensamento brasileiro? Por que, como questionou Darcy Ribeiro, sua obra extraordinária não serviu de cimento na construção de nossas consciências nacionais? Sobre tais questões debruçaram-se todos os seus intérpretes. De Dante Moreira Leite a Ronaldo Conde Aguiar. De Nelson Werneck Sodré a Aluízio Alves Filho. De Antonio Candido a Maria Thétis Nunes. De Vamireh Chacon a Roberto Ventura e Flora Süssekind. A certeza: tão brilhante quanto valente, tão visionário quanto pouquíssimo lido, é fato que, embora espaçadamente, o nome de Bonfim e sua obra têm recebido homenagens com evidente musculatura acadêmica, literária e jornalística. De alguns anos para cá, coube à editora Topbooks oferecer a mais importante contribuição para o reconhecimento deste historiador, com a reedição de alguns dos seus principais livros e a acolhida da preciosa biografia escrita por Ronaldo Conde Aguiar, O rebelde esquecido, originalmente uma premiada tese de doutorado.

A novidade: a Topbooks reedita agora, com capa e diagramação novas, o livro A América Latina: males de origem, doze anos depois de oferecê-la ao leitor. Justificável. A obra chega ao centenário neste 2005. E, acima, de tudo, reafirma, como quase sempre ocorre com este sergipano tinhoso, a atualíssima identificação dos vícios repetidos e dos males perpetuados que se tornaram algumas das melancólicas sinas do Brasil.

Como afirmou Elio Gaspari certa vez, poucos estudiosos do país defenderam seu povo com tanta valentia. América Latina é uma das provas mais evidentes. Escrito em 1904, em Paris, ainda sob os eflúvios da Proclamação da República, nele Bonfim investiga a “causa efetiva” dos males que atingem as antigas colônias ibéricas da América Latina, atribuindo-os ao “peso” do “parasitismo das metrópoles” - ou seja, à dominação colonial, para ele um passado funesto. O historiador enuncia como fundamentos de sua análise “o desejo vivo de conhecer os motivos dos males de que nos queixamos todos” e “o desejo de ver esta pátria feliz, próspera, adiantada e livre”.

E quem não quis, cara pálida? A diferença, em Bonfim, é sua originalidade - que acaba se transformando no seu próprio pecadilho. Afinal, critica as sociologias biologísticas, em moda na época, mas adere ao biologismo para explicar o chamado “parasitismo social”: abaixo do Equador, diz, a luta não é de classes, mas entre parasita e parasitado. Utilizando-se de referências na botânica, na biologia e na zoologia para estabelecer metáforas sobre a formação social brasileira, em particular, e latino-americana, em geral, Bonfim afirma que o parasitismo é a “causa das causas” que resume “a história de todas as decadências que vão desaparecendo as civilizações”. Leia o resto do artigo »

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