Blog do Desemprego Zero

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A inflação, os juros e a água do banho

Postado em 3 de Julho de 2008

No artigo a seguir, o autor observa que a aceleração da inflação no Brasil tem gerado preocupações exageradas, embora a inflação no mundo tenha aumentado, no Brasil denota um quadro sob relativo controle, comparativamente a outros países. Dentre os Brics, o Brasil também é o que apresenta a mais baixa taxa de inflação, seguido por China (7,7%), Índia (7,8%) e Rússia (15,1%).

 O Boletim Semanal Focus, do Banco Central em edição recente, indica uma expectativa média de inflação de 6% para 2008, 4,8% para 2009 e 4,5% para 2010. Medidas clássicas como aumento dos juros e superávit já foram implementadas pelo governo.

 No médio e no longo prazos, a inflação se combate mesmo com a ampliação da capacidade de oferta da economia, logo o aperto de juros, ou de crédito, se vier, seja o mais curto possível para não contaminar o ambiente para investimentos produtivos.

E para finalizar o texto, o autor declara que qualquer exagero na adoção de medidas de contenção representará um “tiro no pé” do crescimento e do apetite para a continuidade da elevação do investimento produtivo, única forma de garantir a ampliação da oferta, para além da demanda, a verdadeira forma de se combater a inflação de modo estrutural, e não apenas de modo episódico e reativo.

Por Antonio Corrêa de Lacerda

Publicado originalmente no O Estado de S. paulo

A aceleração da inflação no Brasil tem gerado preocupações exageradas. Há fatores locais, mas o mundo vive uma fase de pressão inflacionária decorrente da incorporação de 200 milhões de novos consumidores ao ano que estimulam a demanda e também a especulação com commodities no mercado financeiro.

A inflação mundial tem crescido. Os dados de 12 meses acumulados até abril, considerando-se os índices de preços ao consumidor, nos EUA são de 4,2%; na região do euro, 3,7%. O Brasil, com 5,6% de inflação, denota um quadro sob relativo controle, comparativamente a outros países. Na América Latina, apenas o México (5%) e o Peru (5,4%) apresentam indicadores um pouco abaixo. A média da região é de 10,6%. O sempre elogiado Chile já tem 8,8% acumulados. A Argentina tem oficialmente 9%, mas há estimativas do mercado de que a inflação real é de cerca de 30%!

Dentre os Brics, o Brasil também é o que apresenta a mais baixa taxa de inflação, seguido por China (7,7%), Índia (7,8%) e Rússia (15,1%).

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é o indicador oficial da inflação no Brasil e o balizador das metas de inflação, definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 4,5% ao ano, podendo variar 2 pontos porcentuais para cima ou para baixo. É esse o parâmetro que o Banco Central leva em conta para conduzir a política monetária, principalmente a taxa básica de juros (Selic), que é revisada nas reuniões periódicas do Comitê de Política Monetária (Copom). Leia o resto do artigo »

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Mantega troca Appy por Nelson Barbosa

Postado em 3 de Julho de 2008

Por Katia Alves

Guido Mantega promoveu o atual secretário de Acompanhamento Econômico do ministério, Nelson Barbosa, para o lugar de Bernard Appy, na Secretaria de Política Econômica. Nelson Barbosa se torna o principal formulador de política econômica da Fazenda, o que, na prática, já vinha acontecendo há algum tempo. Mestre em economia pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e Ph.D. pela faculdade americana New School for Social Research.

Bernard Appy vai ocupar uma nova secretaria dedicada às reformas estruturais da economia, em especial a reforma tributária. Para explicar essa alteração, Mantega disse que se trata de um reforço que a Fazenda pretende dar às reformas, daí a criação do novo posto e a nomeação de Appy para o cargo.

Por Guilherme Barros

Publicado originalmente na Folha Online

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, decidiu promover o atual secretário de Acompanhamento Econômico do ministério, Nelson Barbosa, para o lugar de Bernard Appy, na Secretaria de Política Econômica. Appy irá ocupar uma nova secretaria dedicada às reformas estruturais da economia, em especial a reforma tributária. A troca de guardas deve ser publicada hoje no “Diário Oficial”.

Com a mudança, Nelson Barbosa se torna o principal formulador de política econômica da Fazenda, o que, na prática, já vinha acontecendo há algum tempo. Mestre em economia pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e Ph.D. pela faculdade americana New School for Social Research, Barbosa acompanha Mantega desde o início do governo. Barbosa assessorou Mantega no Planejamento, depois no BNDES e foi com o ministro para a Fazenda. No ano passado, recusou convite para voltar a lecionar na New School. Barbosa participou das principais decisões econômicas da Fazenda, desde que Mantega a sumiu a pasta. Ele e Mantega têm visões muito parecidas sobre a economia e freqüentemente divergentes das opiniões do Banco Central. Leia o resto do artigo »

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Para Fiesp, BC erra no diagnóstico da inflação

Postado em 2 de Julho de 2008

Por Katia Alves

A Fiesp considerou um erro o diagnóstico feito pelo Banco Central, pois o bacen afirmou que a oferta da indústria não estaria apta a atender o crescimento da demanda. Estudo da Fiesp apresentou dados mostrando que os investimentos industriais estão ocorrendo e se maturando em tempo hábil.

O trabalho da Fiesp mostra, porém, que, dos 20 itens que compõem o IPA, apenas quatro registram uma alta de preços acima da média da indústria. Segundo o empresário Paulo Francini, diretor do departamento de pesquisas e estudos econômicos da Fiesp, o objetivo do trabalho é o de mostrar que a indústria não é a principal causa da inflação, como o Banco Central e muitos analistas têm dito ultimamente. A indústria até, de acordo com o estudo, está ajudando no controle da inflação.

Publicado na  Folha

Por Guilherme Barros

Nos dois últimos relatórios de inflação, o Banco Central tem afirmado que a oferta da indústria não estaria apta a atender o crescimento da demanda. O relatório do dia 25 de junho foi ainda mais enfático ao dizer que “o maior risco, porém, advém dos preços industriais, pois, além de se localizarem mais próximos da etapa do consumo final e, por conseguinte, transmitirem-se mais rapidamente para os preços do consumidor, costumam mostrar maior persistência”.

A Fiesp considera um erro esse diagnóstico do Banco Central. Segundo estudo do departamento de pesquisas e estudos econômicos da entidade, os dados mostram que os investimentos industriais estão ocorrendo e se maturando em tempo hábil. Ao apontar suas baterias contra os preços industriais, o Banco Central usa como parâmetro a variação do IPA (Índice de Preços por Atacado), da Fundação Getulio Vargas. O IPA total registrou até maio uma elevação de 15,36% no acumulado dos últimos 12 meses. Já o IPA da indústria de transformação, de 9,08%.

O trabalho da Fiesp mostra, porém, que, dos 20 itens que compõem o IPA, apenas quatro registram uma alta de preços acima da média da indústria. São exatamente os setores mais atingidos diretamente pela alta de preços global. Leia o resto do artigo »

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Polêmicas da Semana: FHC, Candidatura de Suplicy, Ações sociais, Etanol, Papa Bento XVI, Mercosul

Postado em 1 de Julho de 2008

Por Beatriz Diniz

Política

FHC

  • Durante a missa de sétimo dia da morte da ex-primeira dama Ruth Cardoso, FHC chora ao agradecer a população o carinho e apoio que têm dado Clique aqui para ler

Candidatura de Suplicy

  • Após oficialização da candidatura de Marta Suplicy para a prefeitura de São Paulo, o programa de governo erra dados e insere verbas do governo federal na promessa de dobrar as linhas de metrô da capital paulista Clique aqui para ler

Ações sociais

  • O período eleitoral não impedirá o governo federal de prosseguir com as ações destinadas a população de baixa renda, apesar de ser acusado pela oposição de eleitoreiras Clique aqui para ler

Economia

Etanol

  • Lula defende o Etanol em cúpula do Mercosul, porém afirma que se este causar fome ele abre mão do combustível Clique aqui para ler

Papa Bento XVI

  • Visita do Papa Bento XVI pode atrair um maior número de clientes para os bordéis de Sidney, na Austrália. Espera-se uma alta de até 200% de lucro Clique aqui para ler

Mercosul

  • Durante abertura da cúpula do Mercosul, a presença da Quarta Frota norte-americana foi condenada por Chávez, enquanto que Kirchner que adverte quanto a perda da oportunidade existente de integração e desenvolvimento da região Clique aqui para ler

Mais Destaques:

Resumo Diário - 30/06/2008

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“Crise mundial dos alimentos representa uma grande oportunidade para o Brasil”

Postado em 30 de Junho de 2008

Por Katia Alves

Segundo Cassel a crise, ao mesmo tempo que apresenta problemas sérios, representa uma oportunidade rara para o Brasil. “O Brasil é hoje um dos grandes exportadores de alimentos do mundo e é o país que pode ampliar ainda mais a sua produção, seja por um pequeno aumento de área e, especialmente, por um aumento de produtividade”

O debate sobre a necessidade de um novo padrão de desenvolvimento rural ocorre em um contexto de crise mundial do preço dos alimentos. Para o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, essa crise representa uma rara oportunidade para o país. A agricultura familiar e os assentamentos de reforma agrária podem ajudar o Brasil a dar um salto na produção de alimentos com qualidade, garantindo soberania e segurança alimentar à população.

Por Marco Aurélio Weissheimer

Publicado originalmente na Carta Maior

A atual crise mundial do preço dos alimentos recoloca de uma maneira muito clara o papel da agricultura familiar e dos assentamentos de reforma agrária para garantir soberania e segurança alimentar para a população. A avaliação é do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, que, em entrevista à Carta Maior, trata dos objetivos e da importância da 1ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário.

Para Cassel, essa crise, ao mesmo tempo que apresenta problemas sérios, representa uma oportunidade rara para o Brasil. “O Brasil é hoje um dos grandes exportadores de alimentos do mundo e é o país que pode ampliar ainda mais a sua produção, seja por um pequeno aumento de área e, especialmente, por um aumento de produtividade”, defende. Na avaliação do ministro, o setor patronal da agricultura brasileira já se encontra numa fronteira de produtividade e é muito difícil ampliá-la. “Quem pode auxiliar o Brasil neste momento, combater a inflação e produzir mais alimentos de qualidade são os agricultores familiares e os assentados de reforma agrária”. Na entrevista, Cassel também fala das políticas de segunda geração do governo Lula para aumentar a produção de alimentos no país e aborda a polêmica em torno dos biocombustíveis.

Carta Maior: Quais os objetivos e a importância desta Iª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário?

Guilherme Cassel: Em primeiro lugar, é importante destacar que a conferência acontece em um momento histórico muito singular. A humanidade vive hoje uma crise do preço dos alimentos como nunca se viu antes. Isso recoloca de uma maneira mais clara o papel da agricultura familiar e dos assentamentos de reforma agrária para garantir aos nossos povos soberania e segurança alimentar. Quem produz alimentos neste país são os agricultores familiares e os assentados da reforma agrária. São eles que produzem o arroz, o feijão, o leite, as aves, aquilo que a gente consome no dia-a-dia. Portanto, essa crise, que é uma crise mundial, coloca para o nosso país a necessidade de ter uma política de segurança alimentar e também de exportação de alimentos.

CM: Na sua avaliação, considerando esse contexto de crise mundial, qual é a situação da agricultura brasileira hoje?

GC: Se é verdade que essa é uma crise mundial, que pressiona a inflação, que recolocou o tema dos preços dos produtos agrícolas em um outro patamar, se é verdade que ela coloca dificuldades para todos os países, inclusive o Brasil, na medida que vamos enfrentar daqui para frente problemas de oscilação de preços e pressões inflacionárias, também é verdade que é uma oportunidade rara para o país. Leia o resto do artigo »

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Lula prepara a volta de Palocci

Postado em 30 de Junho de 2008

Por Katia Alves

A volta de Palocci à Fazenda é dada como certa se o caso do caseiro for “zerado”. A alta da inflação assustou o presidente Lula, apesar dos discursos otimistas, e enfraqueceu o atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, que não conseguiu domá-la. A responsabilidade de controlar a inflação acabou a cargo do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o que não agrada ao presidente da República por causa da alta dos juros.

O resgate de Palocci , porém, não depende só de torcida. Fracassaram, por exemplo, as gestões para que o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, suspendesse o processo contra Palocci.

Publicado originalmente no Correio Braziliense

Por Luiz Carlos Azedo e Daniel Pereira

Assustado com o rumo da economia, o presidente espera que o Supremo arquive a denúncia contra o ex-ministro para reconduzi-lo ao governo federal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aposta todas as fichas na rejeição da denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT-SP) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para trazê-lo de volta à pasta, cargo que ocupou com brilhantismo, segundo avaliação de Lula. Palocci é acusado de quebrar o sigilo funcional do caseiro Francenildo Costa, fato ocorrido em 2006, episódio que o derrubou do Ministério da Fazenda. Eleito deputado federal, o ex-ministro é o único dos ex-auxiliares que continua sendo interlocutor de Lula.

A volta de Palocci à Fazenda é dada como certa se o caso do caseiro for “zerado”. A alta da inflação assustou o presidente Lula, apesar dos discursos otimistas, e enfraqueceu o atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, que não conseguiu domá-la. A responsabilidade de controlar a inflação acabou a cargo do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o que não agrada ao presidente da República por causa da alta dos juros. Lula teme cair numa armadilha: a inflação desgasta o governo entre a população de baixa renda; o remédio - elevar os juros - acaba tendo o mesmo efeito colateral.

Presidente da comissão especial que examina a reforma tributária na Câmara, Palocci está reconstruindo sua imagem. Evita excesso de exposição na mídia e confrontos políticos, mas atua com desenvoltura nos bastidores. É o principal interlocutor da Câmara na equipe econômica e no mundo empresarial. Leia o resto do artigo »

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Inflação, manias e pânicos

Postado em 29 de Junho de 2008

Por Katia Alves

De acordo com o autor, Antonio Prado, temos uma combinação incomum de fatores que projetam os preços para cima. Uma demanda crescente de alimentos nos países emergentes, principalmente nos BRICs, uma disputa por alimentos para a produção de etanol a partir de grãos (EUA), e não cana de açúcar (Brasil), e uma especulação gigantesca no mercado de commodities, ainda como eco da crise do dólar e dos subprimes.

O dilema está em elevar os juros demais a um custo muito alto de desaceleração do crescimento do PIB; ou elevar de menos e deixar a inflação ultrapassar os limites da meta de inflação e derrubar o poder aquisitivo dos salários. Não é uma decisão fácil, mas recomenda a prudência que em mar de icebergs deve-se navegar despacito. O Bacen não deve se impressionar com os gritos de pânico.

Publicado originalmente Valor

Por Antonio Prado

A literatura sobre políticas monetárias é ampla, diversa e plena de polêmicas. Mesmo entre os que confessam a mesma fé, há divergências. O pai das regras que regem as políticas de metas de inflação, Mr. Taylor, desenvolveu um método para avaliar a qualidade das políticas monetárias e o aplicou ao seu país, os Estados Unidos. Sugeriu que em vários momentos o aperto monetário foi excessivo, em outros, tardio, incorrendo em sobre-custos em relação ao desemprego e ao Produto Interno Bruto (PIB) ou em volatilidade da inflação. Ele garante que os bancos centrais erram a mão e não é um keynesiano heterodoxo.

Mesmo que o seu método, o de Mr. Taylor, seja também objeto de polêmica, a questão é que não há tal coisa como um banco central dotado da infalibilidade. Para os espíritos que necessitam deste conforto, nossa solidariedade. Mas os bancos centrais muitas vezes seguem o tato. Demoram a agir quando deveriam ou exageram na reação quando o fazem. É natural que isso ocorra, pois atuam sobre uma rede de alta tensão ligada, que é a economia.

Uma coisa está clara para todos que observam o ambiente inflacionário brasileiro e mundial: o problema é grave. Temos uma combinação incomum de fatores que projetam os preços para cima. Uma demanda crescente de alimentos nos países emergentes, principalmente nos BRICs, uma disputa por alimentos para a produção de etanol a partir de grãos (EUA), e não cana de açúcar (Brasil), e uma especulação gigantesca no mercado de commodities, ainda como eco da crise do dólar e dos subprimes.

Este último fator merece atenção especial, pois tem havido um silêncio de túmulo em relação a ele, com raras exceções Leia o resto do artigo »

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Meta de inflação: o necessário aperfeiçoamento

Postado em 28 de Junho de 2008

Por Katia Alves

Há grande necessidade de se realizar mudanças de forma gradual no nosso regime de metas, com o intuito de melhorá-lo e conseguir reduzir índices de inflação, ter elevados níveis de crescimento econômico e de emprego.

O autor observa que o Brasil poderia seguir o modelo do Chile, país conhecido por ter, há tempos, um BC responsável e índices baixos de inflação, alongando a meta de inflação para três anos, por exemplo, ou apenas deixando-a como um foco (ou mesmo um intervalo - um “range”) a ser buscado, como fazem alguns países.

E não devemos esquecer que somos um país em desenvolvimento, que não podemos trocar crescimento econômico por uma inflação que estará sempre controlada. Uma medida importante seria a ampliação do Comitê de Política Monetária (Copom), com alguns representantes dos setores industrial, de serviços e agrícola, e não apenas do setor financeiro.  

Por Eduardo Strachman

Publicado originalmente no Valor

A despeito de gostar-se ou não, teórica ou empiricamente, do Regime de Metas de Inflação (RMI), parece certo que as metas vieram para ficar, também no Brasil, ao menos em um futuro próximo. Frente a isso, torna-se imprescindível realizar - provavelmente não todas de uma só vez - mudanças neste regime econômico, implantado no país em 1º de julho de 1999, após a crise cambial do início daquele ano. Assim, após quase nove anos de RMI e 14 anos com inflação baixa, o Brasil pode e deve flexibilizar seu RMI, seguindo, aliás, a experiência de alguns países bem-sucedidos neste sentido.

Mostra-se, então, imprescindível a realização de uma série de reformas neste regime, melhorando-o e aproximando mais fortemente o Banco Central do Brasil (BCB) da busca por conseguir, simultaneamente (como ensinam autores como Svensson, Bernanke, etc., ou presidentes de BCs, como Greenspan), reduzidos índices de inflação e elevados níveis de crescimento econômico e de emprego, como o faz, por exemplo, inclusive em sua carta constituinte, o principal e melhor Banco Central (BC) do mundo, o Federal Reserve (Fed), dos EUA.

O Brasil poderia, neste caso, seguir o modelo do Chile, país conhecido por ter, há tempos, um BC responsável e índices baixos de inflação, alongando a meta de inflação para três anos, por exemplo, ou apenas deixando-a como um foco (ou mesmo um intervalo - um “range”) a ser buscado, como fazem alguns países, sem período especificado para a consecução de determinadas metas, nem ao menos um de três anos. E passar a buscar o núcleo da inflação, escapando de altas temporárias de certos preços, como câmbio, eletricidade, gasolina, impostos etc., especificados (isto é, acordados) ex-ante, vale dizer, previamente. Só estas duas medidas já significariam uma folga imensa com relação ao RMI em sua forma atual, como mostram séries de dados do próprio BCB, desde julho de 1999. Com isso, ademais, ficaria muito mais fácil compatibilizar crescimento com inflação baixa, porque se poderia ter certeza que o BCB estaria buscando um índice civilizado de inflação, digamos, sempre abaixo de dois dígitos - para um país que penou tantos anos com elevações de preços muito acentuadas -, mas sem o objetivo de ter de alcançar a meta ao final de um determinado período. O que importa - como mostram Bernanke, Mishkin, Svensson e outros - é que se saberia que o BCB estaria sempre rumando, no longo prazo, para índices reduzidos de inflação, mas sem deixar que a inflação escape do controle no curto prazo. Leia o resto do artigo »

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As projeções do IPEA

Postado em 28 de Junho de 2008

Por Katia Alves

O IPEA descontinuou as projeções trimestrais por opção política de focar no planejamento de longo prazo e em estudos mais estruturantes, mas está havendo um comentário que isso é uma forma do governo censurar alguns acontecimentos como baixo crescimento e inflação.

Entretanto, o ponto importante citado no texto abaixo é que os desenvolvimentistas e keynesianos do IPEA estão buscando remontar o IPEA para planejar e pensar o longo prazo e estão descontinuando processos e atividades que estavam associados à antiga orientação teórica e política.   

Publicado no Blog do Nassif

Por Jorge Roberto   

Logo vão lhe inquirir sobre as mudanças no IPEA.

O IPEA descontinuou as projeções trimestrais por opção política de focar no planejamento de longo prazo e em estudos mais estruturantes.

Mas estão dizendo que é uma orientação do governo federal para “esconder” ou “censurar” as novas projeções desfavoráveis para inflação e crescimento.

Essa afirmativa seria cômica, se não fosse triste. O mercado faz projeções semanais ou mensais para essas variáveis e o Banco Central também. O governo Lula até hoje não fez nada para romper a institucionalidade e não será dessa vez por uma bobagem como essa. Do ponto de vista de “esconder” ou “censurar” projeções, essa iniciativa do IPEA seria irrelevante, se fosse essa a intenção. Mas quase todos os jornais estão repetindo essa bobagem. Leia o resto do artigo »

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Empresas brasileiras elevam investimento na Venezuela

Postado em 27 de Junho de 2008

Por Katia Alves 

A Braskem é parte de uma onda de investimentos brasileiros na Venezuela iniciada no ano passado, num momento em que o país atrai cada vez menos capital estrangeiro. O ano passado foi o primeiro desde o início do governo Chávez, em 1999, em que empresas brasileiras se instalaram na Venezuela.

A “invasão” brasileira contrasta com o débil desempenho venezuelano no ano passado, quando atraiu apenas US$ 646 milhões, ficando num modesto 13º lugar na região, segundo dados da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe).

Na contramão do aumento dos investimentos brasileiros, a Petrobras praticamente paralisou os planos de expansão na Venezuela. Dos cinco projetos previstos na “aliança estratégica” com a estatal PDVSA, assinada em fevereiro de 2005, nenhum foi implementado e pelo menos dois estão descartados.

Publicado na Folha

Por Fabiano Maisonnave

Brasil correspondeu a 20% do aporte estrangeiro no país vizinho em 2007

Braskem participa de projetos que somarão US$ 3,4 bi; para analista, tendência reflete política de Chávez, que busca substituir presença americana

No computador de Sergio Thiesen, diretor-superintendente da Braskem na Venezuela, os dados sobre o maior projeto industrial de capital brasileiro no país de Hugo Chávez se misturam a fotos de luxuosos condomínios à beira de canais por onde passeiam iates. Parece Miami, mas se trata de Lecheria, cidade caribenha a 300 km a leste de Caracas.

“Envio essas fotos para o pessoal se animar a vir pra cá”, brinca Thiesen, ao receber a reportagem em seu escritório, num moderno centro empresarial de Caracas.

A Braskem já enviou 22 funcionários. Esse número deve aumentar a partir de janeiro, quando começam as obras para a construção da primeira das duas fábricas que a Braskem construirá com a estatal Pequiven. Ambas funcionarão no Complexo Petroquímico de Jose, perto de Lecheria. O maior projeto, o Poliamerica, envolve US$ 2,5 bilhões e deve entrar em operação no final de 2012. Produzirá polietileno e eteno. O segundo projeto, Propilsur, está orçado em US$ 900 milhões, ficará pronto dois anos antes e fabricará prolipropileno. Cada empresa investirá cerca de US$ 1,75 bilhão, gerando cerca de 1.500 empregos diretos.

“A Venezuela possui uma das maiores reservas de petróleo e gás natural do mundo e tem interesse em atrair parceiros que possuam experiência e tecnologia para desenvolver projetos petroquímicos no país”, diz Thiesen, ao justificar o investimento da Braskem Leia o resto do artigo »

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Polêmicas da semana: Variglog, Inflação, MST, militares, Lindberg, Bolsa Família, Cacciola, Gol, Volvo, Bolsas Européias , Concurso, Volkswagen, Reservas Internacionais, PAC, Kassab, Jader Barbalho

Postado em 27 de Junho de 2008

Por Beatriz Diniz

Economia

Concurso Petrobrás

  • Reservas internacionais do país atingem US$200 bilhões, segundo Banco Central Clique aqui para ler

  • O Conselho Administrativo de Desenvolvimento Econômico (CADE), decidiu que a Gol não terá de devolver os “slots” conquistados com a compra da Varig, considerando que não há risco da competitividade entre as companhias aéreas ser afetada Clique aqui para ler

  • A espera da decisão do Fed sobre as taxas de juros fez com que as bolsas européias fechassem em alta esta quarta-feira Clique aqui para ler

  • A piora das condições de mercado leva a Volvo a anunciar a demissão de 1200 funcionários, o que provocará um corte de US$ 663 milhões nos seus gastos. No primeiro trimestre de 2008, a companhia teve um prejuízo de US$ 149,5 milhões Clique aqui para ler

  • Venda da Variglog: Lula X Roberto Teixeira Clique aqui para ler

Política

  • Irregularidade em contratos e licitações do Pac leva a exoneração três servidores do Ministério das cidades Clique aqui para ler

  • Kassab, prefeito de São Paulo e candidato a reeleição pelo partido Democratas (DEM), nega antecipação de campanha eleitoral pela TV e acusa candidatos do PT e PSDB de fazê-la Clique aqui para ler

  • Jader Barbalho acusado de peculato em 2006 tem a acusação mantida pelo Supremo Tribunal Federal Clique aqui para ler

  • A partir do próximo mês o Bolsa Família sofrerá um reajuste de 8% sobre o total pago do benefício Clique aqui para ler

  • O pedido de extradição do ex-banqueiro Salvatore Cacciola, condenado por corrupção passiva, peculato e gestão fraudulenta em 2005, foi aceito pela Corte de Mônaco Clique aqui para ler

  • Procuradoria faz pedido de abertura de inquérito contra ex-autoridades militares do período da ditadura Clique aqui para ler

  • Prefeito Lindberg de Nova Iguaçu, que apostava na candidatura para uma possível reeleição, é acusado de fraude em licitação Clique aqui para ler

Leia ainda os Destaques da semana:

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A SEMANA A LIMPO

Postado em 27 de Junho de 2008

*Léo Nunes - Paris

Brasil

A nota desta semana destaca a repercussão da morte da ex-primeira-dama Ruth Cardoso. Os jornais europeus, como o El Pais, destacaram o papel da antropóloga em programas assistenciais, que serviram de embrião para o Bolsa Família. Divergências a parte, duas qualidades de Ruth Cardoso serão sempre lembradas: o engajamento e a discrição.

Economia

O Federal Reserve Bank (FED, ou Banco Central dos EUA) interrompeu a seqüência de cortes da taxa básica de juros. Tal decisão é um claro sinal de que pode haver futuras elevações dos juros. De fato, em algum momento um ajuste se fará necessário. A possibilidade de haver um “soft landing” dependerá das próximas decisões do FED.

Internacional

Os EUA suspenderam algumas sanções comerciais em relação à Coréia do Norte. Esta decisão é ainda um passo tímido da Casa Branca, mas significa um reconhecimento no que diz respeito à política nuclear de Pyongyang. Os produtos norte-coreanos terão tarifas de importação altas, principalmente nos setores em que poderia ser competitivo, como, por exemplo, o têxtil.

*Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa, escreve neste espaço às segundas, quartas e sextas-feiras. Meus Artigos

Clique aqui para ler nosso manifesto.

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