Blog do Desemprego Zero

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Reflexões sobre aspectos estruturais do setor elétrico brasileiro

Postado em 1 de Julho de 2008

Ainda o falso dilema: Energia cara ou energia rara. 

Publicado em: Desemprego Zero

Por: Roberto Pereira d’Araujo* 

O setor elétrico brasileiro sofreu muita inquietação nos últimos tempos. Praticamente não houve um marco regulatório consistente que durasse mais de um ano. Os investidores reclamam, muito justamente, por um conjunto de regras confiáveis e duradouras para que o país possa atrair capital que garanta energia para o crescimento. 

A agência reguladora do setor, criada após o processo de privatização e implantação de um modelo mercantil, teve um desempenho bastante questionável, estando em diversas ocasiões em litígio, ora com o estado, ora com as próprias empresas, ora com os consumidores e ora com todos. A culpa não é da agência e nem se resolve dando-lhe mais ou menos independência. A questão está no fato do conjunto de regras conformar um sistema justo ou não. Afinal, não se pode dizer que regular um setor baseado em uma legislação incompleta tenha sido uma tarefa fácil. 

Convivendo com esses problemas, a eletricidade, entendida como infra-estrutura essencial ao crescimento da economia, formadora básica de preços de outros setores e principalmente serviço indispensável para as famílias brasileiras, tem grande influência sobre a preocupante questão social brasileira. É com essa última compreensão do problema que apresento as reflexões contidas nesse texto. 

Outras visões são interessantes e válidas. Provavelmente minhas análises, vistas sob uma ótica estreita, colidem com concepções que entendem o setor como apenas mais um campo repleto de oportunidades de negócios, arena de investidores brasileiros e estrangeiros, interesse de grandes e importantes grupos financeiros. Declaro por princípio, que encaro esse tipo de percepção como legítima e também necessária. Entretanto, entendo que, na última década, muitos exames já foram feitos sob esse enfoque, enquanto poucos diagnósticos apresentaram o viés que proponho. É pelo exercício do convívio democrático de análises conflitantes que encontraremos a solução para os problemas que ainda nos atormentam.  Leia o resto do artigo »

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Resistências ambientais às hidrelétricas e o futuro do setor elétrico brasileiro - apresentação de slides

Postado em 29 de Maio de 2008

Apresentação, em formato Power Point, de importante estudo de um dos autores do nosso Blog, Roberto Pereira D’Araújo, sobre a problemática da questão energética e das hidrelétricas no Brasil, suas características e perspectivas futuras.

Este trabalho traz gráficos elucidativos e dados relevantes sobre o setor elétrico no Brasil, como também algumas importantes informações acerca dos recursos hídricos no mundo.

Esta apresentação refere-se ao texto que já publicamos aqui no Blog na última segunda-feira, dia 26.

Confira também o texto:

Resistências ambientais às hidroelétricas e o futuro do setor elétrico brasileiro

* Por Elizabeth Cardoso

Resistências ambientais às hidrelétricas e o futuro do setor elétrico brasileiro

apresentação de slides

Por Roberto Pereira D’Araújo*

Qualquer cenário futuro, a partir do momento atual, depende de duas perspectivas de extrema gravidade:

  1. Dúvidas quanto ao horizonte de duração das reservas mundiais de petróleo.
  2. Alterações ambientais em escala planetária.

Clique aqui para ler este artigo na íntegra

* Roberto Pereira d’ Araujo: Engenheiro Eletricista e Mestre em Sistemas e Controle pela PUC-RJ. Pós-Graduação em Operation Planning pela Waterloo University. Foi Chefe de Departamento de Mercado em Furnas Centrais Elétricas. Ex-membro do Conselho Administrativo de Furnas. Consultor na área de energia elétrica.

Meus Artigos

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Resistências ambientais às hidroelétricas e o futuro do setor elétrico brasileiro

Postado em 26 de Maio de 2008

Por Roberto Pereira d’Araújo

Para pensar o setor elétrico brasileiro, coloco uma questão inicial sobre sua peculiaridade: ele não é diferente porque é hidroelétrico. É diferente porque é um sistema de uma única e grande reserva hídrica compartilhada. E, quais são as conseqüências de ser um sistema de reserva compartilhada? Uma delas é a necessidade do preço da energia no mercado de curto prazo ser determinado por um modelo matemático e não por leis de oferta e procura.

Obrigatoriamente, sendo a reserva compartilhada e de grande porte, alguém tem que ser o “gerente do estoque” e, sendo a entrada de energia aleatória, tem-se que estimar o custo futuro de atendimento, pois o estoque guarda água para ser usada no futuro. Para fazê-lo, o “gerente” adota parâmetros e simula como será a gestão da reserva nesse futuro. Como uma das possibilidades futuras é a falta de energia, é preciso assumir um custo da falta de energia elétrica. Alguém pode imaginar algo mais polêmico do que o custo da falta da energia elétrica? Isso dá uma idéia das dificuldades inerentes a um sistema de gestão de reserva compartilhada.

O entendimento de um sistema de reserva hidráulica quando tratamos de sistemas energéticos é muito polêmico. Gostaria de dar um exemplo: Certa vez, em um congresso fora do Brasil, fiz uma comparação do sistema brasileiro com outro sistema de outro país. Destaco que só conheço um sistema parecido com o brasileiro, o da Hydro Quebec, no Canadá. Mostrei características desse sistema de grandes reservatórios e expus que essa empresa, apesar de estatal, teve bons resultados: a tarifa é baixa, o retorno de capital é de 13%, a empresa se autofinancia em 60% e a satisfação do consumidor está em 96%. Quando eu terminei a palestra, um engenheiro da Hydro-Quebec da platéia veio conversar comigo. Confesso que a primeira coisa que pensei foi ter cometido algum erro, apesar de ter a certeza de que os dados estavam corretos pois vieram do relatório da própria HydroQuebec. Entretanto, o meu interlocutor, com certo constrangimento, veio me explicar como a empresa tinha conseguido resultados tão bons.

Segundo ele, nos últimos anos a empresa canadense, que tem conexão com os estados norte-americanos vizinhos, alcançara um lucro extraordinário por um motivo curioso. Esses estados americanos possuem muitas usinas nucleares e, na carga baixa, por acharem mais seguro não desligar essas usinas, vendem à HQ parte da energia gerada. Segundo o especialista, a empresa canadense compra energia por US$ 5/MWh na carga leve e, no período de carga pesada, a mesma energia é revendida para esses mesmos estados por US$ 50/MWh. Na realidade, a energia americana foi “guardada” nos reservatórios da HQ, pois nesse momento a HQ diminuía sua geração e, portanto, guardava água. Na conversa que travamos, exaltei a vantagem do sistema de reservatórios e argumentei que, se o vizinho dos Estados Unidos fosse a Noruega, um país totalmente hídrico, ele nada lucraria, porque não dispõe de reservatório. Na Noruega, o reservatório está na neve, não controlável. No caso do Canadá, os reservatórios interligados permitem que se compre energia gerada no EUA, que esta mesma energia seja “guardada” na água, para, então, revendê-la para os próprios americanos por um preço 10 vezes maior. E porque estou me remetendo a este fato? Para mostrar como é estranho ao “mercado” um sistema de reserva de energia do tamanho do que existe no Canadá. A diferença de US$ 45/MWh seria um “aluguel” da reserva? Lá, eles conseguem guardar o equivalente a três meses do seu consumo. No Brasil temos capacidade de armazenar o consumo relativo a seis meses.

Sobre o cenário futuro, creio que existem duas questões graves a considerar: a questão da escassez do petróleo e a questão ambiental. Provavelmente nunca estivemos com tantas incertezas sobre o futuro. (Slide 2) Olhando para o gráfico do Slide 3, podemos verificar o que ocorreu com o consumo de energia nas crises do petróleo. Na horizontal temos o crescimento do PIB mundial e na vertical o uso da energia. Nas crises do petróleo, o mundo melhorou a sua produtividade, pois ele cresce na horizontal (PIB), utilizando menos energia por unidade de produto.

Entretanto, quando essa energia é separada por tipo de uso (Slide 4), verificamos que a eletricidade não tem essa maleabilidade, pois quando cresce a produção de riqueza, junto cresce o consumo de eletricidade.

No slide 5, temos o conhecido estudo do Campbell, da Association for the Study of Peak Oil and Gas, que nos mostra que estamos explorando mais petróleo do que descobrindo jazidas exploráveis. No gráfico que mostra o comportamento dos preços no slide 6 de um estudo da British Petroleum, o que vai ocorrer futuro parece ser uma grande especulação. O sinal de interrogação indica que, hoje, com as dúvidas sobre as reservas mundiais, é difícil se os preços irão se comportar tal como no passado.

Em relação à questão ambiental (slides 8, 9, 10), a pergunta que deveríamos nos fazer é porque não entramos em pânico? O gráfico mostra as mudanças radicais de temperatura da terra ao longo do tempo; o gráfico de baixo mostra o mesmo com os decorrentes da concentração de gás carbônico e com os originados pela emissão de carbono.

As fontes derivadas de combustíveis fósseis, como o petróleo, estão cada vez mais caras e sofrerão crescente resistência ambiental. Não imaginamos o que poderia ser previsto no atual cenário caso ocorresse uma grande mudança tecnológica, ou seja, uma inovação que provocasse uma ruptura capaz de alterar substancialmente o quadro atual.

Apesar de que vivemos um momento de grande incerteza, podemos esperar algumas coisas. Primeiro é que o mundo não deverá ficar sem petróleo, mas é provável que seu preço aumente. (Slide 11)Também é muito provável que haja um outro ajuste na demanda, tal qual nas crises da década de 70, no mundo inteiro.

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Itaipu, liquidações e mercado livre

Postado em 8 de Maio de 2008

Por Roberto Pereira d’ Araujo*

O tema do preço da energia de Itaipu entre Brasil e Paraguai, independente das complexas questões de tratados bi-nacionais, é bastante didático. O assunto não é o tratado em si, mas é interessante lembrar alguns detalhes.

A construção da usina solucionou um impasse diplomático envolvendo Brasil e Paraguai numa disputa secular sobre a posse de terras na região do Salto de Sete Quedas que, hoje, está coberta pelo lago. Em 1962 pensou-se numa aliança para produzir energia, mas a solução só se efetivou em 1973 quando Brasil e Paraguai firmaram o Tratado de Itaipu. O governo brasileiro foi responsável pela obtenção de recursos para a obra. O padrão de financiamento de curto prazo de instituições financeiras e de bancos estrangeiros, comum na década de 70, sofreu muito com a alta dos juros da década de 80. O custo da usina é de aproximadamente US$ 1.000 por quilowatts instalados, ou cerca de US$ 14 bilhões. O preço atualizado, com os juros e a inflação em dólar do período, chega a US$ 16 bilhões. Em 1984 a usina entrou em operação e, após 50 anos, em 2023, com uma tarifa no entorno de R$ 75/MWh, a dívida terminará de totalmente quitada.

Apesar das cifras bilionárias, Itaipu ainda é uma usina barata, pois é uma das últimas cuja energia é calculada pelo seu custo. Se nenhuma manobra alterar o que foi acordado, daqui a 15 anos, essa energia é praticamente gratuita. Se o planeta não nos preparar nenhuma tragédia, Itaipu vai gerar energia para nossos netos por preços muitíssimo menores que qualquer outra opção.

Só que, para um país com os graves problemas sociais como o Brasil, seria um absurdo praticarmos tarifas que incentivassem consumos perdulários. A estratégia deveria ser outra. A vantagem de ter uma parte da energia barata é que se poderia apropriar a diferença para a formação de um fundo. Como Itaipu é capaz de gerar cerca de 80 TWh/ano, se apenas R$ 50/MWh fossem dirigidos à um fundo, só ela seria capaz de acumular 4 bilhões de reais a cada ano, um Bolsa Família.

Vejam como isso nos remete à questão dos preços e da apropriação de diferenças de preço em sistemas de base hídrica. O que ocorreu nos últimos anos no Brasil, governo Lula incluso, foi justamente a apropriação não pública desses diferenciais.

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As rendas oclusas

Postado em 20 de Março de 2008

Por Roberto Pereira d’Araujo*

É constrangedor buscar evidências dos nossos próprios erros nas experiências de outros países. Quem tiver curiosidade, pesquise na pagina do Departamento de Energia dos Estados Unidos* o valor das tarifas médias de energia elétrica dos seus 55 estados. Escolhendo dois exemplos, poderá verificar que elas podem ir desde os US$ 65,30/MWh do Oregon até os US$ 154,50/MWh de Massachussets, uma relação de 1: 2,36, mais do que o dobro.

A ANEEL não fornece a informação por estado, mas a nossa menor tarifa média é a da região Sul com R$ 224,56/MWh. A maior é a da região Centro-Oeste com R$ 284,71/MWh. A relação aqui é de 1:1,26 e, infelizmente, nossa tarifa está mais para Massachussets do que para o Oregon.

Afinal, que mistério é esse? Como uma indústria que produz um serviço homogêneo como a energia elétrica é capaz de fornecer energia com preços tão diferentes? Mantendo a curiosidade no exemplo americano, o leitor poderá dar uma olhada no mapa da reestruturação dos setores elétricos por estado** para descobrir que, ao contrário da enganosa opinião dominante, apenas 14 dos 55 estados implantaram as famosas “reformas” mercantis que tiveram início na década de 90. Nos nossos exemplos, o Oregon está classificado sob o nome “reestruturação suspensa” e o caro Massachussets foi totalmente reestruturado pelo “mercado”.

Não é preciso ser nenhum Sherlock Holmes para entender a “cena do crime”. O Oregon é o estado onde estão localizadas as grandes usinas hidroelétricas do Rio Columbia, como a Grand Coulee (6.495 MW) ou a John Day (2.480 MW). Os americanos privatizaram suas hidroelétricas? De jeito nenhum! Além de não venderem, elas pertencem ao “The United States Army Corps of Engineers” cujo escritório principal está no Pentágono. Principalmente, além de não transferirem a propriedade, não entraram no “canto da seria” da regulação natural via mercado, tão endeusada no nosso país. Chega a parecer ideológico, mas o fato é que, a maioria dos estados ainda prefere o velho conceito de serviço público, onde o preço é calculado pelo poder público como um adicional razoável ao capital investido descontada as amortizações. Leia o resto do artigo »

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MUITOS CRITÉRIOS, POUCAS CERTEZAS

Postado em 20 de Fevereiro de 2008

Roberto Pereira d’Araujo *

A chuva desse verão meio “Al Gore” parece que afastou momentaneamente a ameaça de um novo racionamento de energia. Entretanto, o “momentaneamente” deve ser enfatizado, pois não se pode confundir alívio conjuntural com carência estrutural. Como já salientei em outros artigos, o desequilíbrio está evidente no PLANO ANUAL DA OPERAÇÃO ENERGÉTICA - PEN 2007 RELATÓRIO EXECUTIVO que pode ser obtido no site do ONS por qualquer interessado.

Lá, na página 21, os custos marginais médios anuais para o período 2008 - 2011 são respectivamente R$ 213,76/MWh - R$ 235,72/MWh - R$ 194,00/MWh - R$ 225,69/MWh. Para um cenário da economia um pouco mais aquecido, esses custos ainda sobem mais 20%. Esses valores são “médios” porque são calculados para uma grande quantidade de cenários hidrológicos, onde se encontram cenários bons e ruins. Assim se evita uma avaliação conjuntural dependente da meteorologia de momento.

Ora, basta dar uma olhada nos resultados dos últimos leilões realizados para construção de novas usinas para perceber que, a grosso modo, o preço de nova energia é aproximadamente R$ 130/MWh. Portanto, se, na ocorrência de diversos cenários hidrológicos, o custo marginal de operação supera em muito o custo de expansão, o sistema “pede” uma nova usina. Afinal esse custo marginal não é o que traduz a necessidade de se ligar usinas térmicas preservando a reserva de água? Não é esse número que, através de uma complicadíssima fórmula se determina a energia “assegurada” das usinas? Não é esse número que determina o PLD (Preço de Liquidação de Diferenças) no mercado atacadista? Em suma, se esse número é alto o custo de consumo em combustíveis não é maior? Parece que não há como contestar esse fato e, deste modo, o sistema está em desequilíbrio estrutural.

Mas, estamos no Brasil e, aqui, a lógica não é “Aristotélica”. Leia o resto do artigo »

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“Vocês vão ver os modelos que eles vão adotar lá…”

Postado em 18 de Janeiro de 2008

Por Roberto Pereira d’ Araujo * - 18/01/2008

Para quem trabalhou sua vida toda na área de planejamento, assistir a essa enorme confusão de opiniões e critérios no setor elétrico e ainda outra ameaça de racionamento é bastante penoso. Os reservatórios atingem a curva de “aversão ao risco”, o governo contrata energia de reserva, raspa o tacho do gás, vai gerar eletricidade com diesel e diz que está tudo bem?

Toda a metodologia desenvolvida para operar e expandir o sistema brasileiro foi desenvolvida em sincronia com o mundo físico. O desafio não foi pequeno, pois os engenheiros brasileiros perceberam que o nosso sistema não era igual aos sistemas dos países desenvolvidos e, conseqüentemente, a experiência internacional era de pouca serventia. Leia o resto do artigo »

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RISCO DE APAGÃO !! Carta do Professor Luís Pinguelli Rosa ao Ministro das Minas e Energia e ao Presidente Lula

Postado em 15 de Janeiro de 2008

” CARTA DAS TÉRMICAS ” (versão para impressão)

(ano do apagão se repete) (TODOS artigos sobre o apagão)

Exmo Ministro das Minas e Energia

Sr. Nelson Rubner

O Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (IVIG) tem participado do debate nacional sobre os problemas de política energética, destacando-se atualmente: a redução do fornecimento de gás natural às distribuidoras de gás do Rio e de S. Paulo, a entrada em operação das termelétricas e o risco de déficit de energia elétrica apontado por setores da indústria. A questão do gás atingiu consumidores veiculares e industriais, motivando o questionamento na Justiça pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, o que mostra a relevância de discuti-la.

Ademais, no momento em que era feito esse relatório, houve o anúncio da descoberta do campo gigante de petróleo Tupi na chamada área de Pré-Sal, de alto potencial petrolífero, motivando a discussão da mudança do regime de concessão do petróleo e gás, comentada em adendo ao relatório encaminhado em anexo.

Esclarecemos que o IVIG foi criado por um projeto da COPPE / UFRJ, com apoio da FAPERJ. Teve o papel histórico de alertar para o elevado risco de déficit de energia elétrica, antes do racionamento de 2001, através de carta ao Presidente Fernando Henrique Cardoso, na qual eram sugeridas medidas que, infelizmente, não foram tomadas a tempo.

De acordo com esta tradição acadêmica, submetemos à sua apreciação o relatório em anexo com o intuito de dar a nossa interpretação ao problema atual, apontando as causas do mesmo e propondo medidas a serem consideradas pelo Governo e discutidas pela sociedade. São as seguintes as recomendações do relatório: Leia o resto do artigo »

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SÃO PEDRO ESTÁ PERDENDO A PACIÊNCIA !!

Postado em 8 de Janeiro de 2008

Por Roberto Pereira d’Araujo*

roberto_araujo1.jpg“Só chuvas salvam Brasil do apagão” diz o JB de 7 de janeiro. Leio também na Folha de São Paulo do dia 4/1/2008 que “termelétricas produzem perto do limite” e que “há poucas opções para gerar energia se reservatórios chegarem a patamar de risco neste mês”. Ora, não parece esquisito? Se os reservatórios ainda não atingiram o nível de risco, como é que as térmicas já produzem “perto do limite”? Quer dizer que, ao chegar ao limite, não há nada mais a fazer a não ser se desesperar?

Essa é uma demonstração de que o setor elétrico brasileiro não tem um critério de garantia coerente. Se o efeito La Ninã do oceano pacífico aumentar a probabilidade de uma seca no sudeste, poderemos ter outro racionamento. Leia o resto do artigo »

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UM MILAGRE DE SANTO ANTÔNIO ???

Postado em 16 de Dezembro de 2007

Roberto d’Araujo

Que eu saiba, no Brasil, Santo Antônio tem fama de ser casamenteiro. Também é muitas vezes invocado para achar objetos perdidos. Mas, o caso da usina de Santo Antônio no rio Madeira provocou um espanto tão grande que dá para pensar que o santo agora é também o milagreiro dos leilões.

O leilão foi vencido pelo Consórcio Madeira Energia: Odebrecht Investimentos em Infra-estrutura Ltda. (17,6%); Construtora Norberto Odebrecht S.A. (1%); Andrade Gutierrez Participações S/A. (12,4%); Cemig Geração e Transmissão S/A (10%); Furnas Centrais Elétricas S/A (39%) e Fundo de Investimentos e Participações Amazônia Energia (FIP - formado pelos bancos Banif e Santander) (20%). Em pouco menos de 10 minutos o consórcio arrematou o direito de explorar o potencial oferecendo uma tarifa de R$ 78,87 /MWh. Seria uma surpresa, dado os preços dos últimos leilões de novas hidroelétricas que giraram no entorno de R$ 120/MWh?

Infelizmente, não há milagres na energia elétrica brasileira. Para tentar compreender as condições totalmente terrenas e humanas do caso, venho lembrar algumas questões que, dada a complexidade do atual sistema, são pouco conhecidas da grande maioria da sociedade brasileira. Leia o resto do artigo »

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Um setor esquizofrênico

Postado em 22 de Novembro de 2007

Roberto Pereira d’ Araújo* 22/11/07

Desculpem os leitores, mas, mais uma vez, volto a conceitos básicos sobre o setor elétrico brasileiro. Espero mostrar que todo o complicado modelo mercantil definido a partir das reformas da década de 90, constantemente reformado, mas sempre mantido, tem suas “fundações” erigidas sobre “areia movediça”. Toda vez que fui obrigado a explicar o sistema brasileiro para estrangeiros, vi muitos cenhos franzidos. Dentre os setores elétricos mundiais, somos um espécime esquisito.

Para explicar a confusão, é melhor partir do zero. Suponha o Brasil iniciando a construção do seu setor elétrico e imagine que existisse um “laissez-faire” total que permitisse agentes individuais privados construir suas usinas como quisessem. Um puro mercado, tão ao gosto desta seita. Descrevo abaixo uma historinha bem simplificada, mas com grande aderência ao caso brasileiro.

Para começar a história, um cidadão, Leia o resto do artigo »

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Água com gás

Postado em 7 de Novembro de 2007

Roberto Pereira d’Araujo *4/11/07

Todo supermercado tem alguém que cuida do estoque. Responsável por uma reserva de produtos na prateleira, tem obrigatoriamente que olhar para o futuro, pois precisa de uma estimativa das vendas esperadas para encomendar os produtos com antecedência. Apesar de vantagem financeira, não pode arriscar a ter um estoque muito baixo, pois poderia deixar de vender. Também não pode manter um estoque alto, pois, além de empatar dinheiro em mercadorias que podem custar a ser vendidas, seu armazém tem limitações de espaço.

Para entender o burburinho sobre o gás, é preciso primeiro entender o drama do estoquista. Mas, não o do estoquista do gás, mas sim o da água armazenada nos imensos reservatórios das usinas elétricas. Esse gerente de estoque, o Operador Nacional do Sistema, lida com uma variável aleatória na saída, o consumo de energia e outra variável aleatória na entrada, as afluências dos rios. Seu “armazém” é o maior entre os sistemas similares no mundo. Os reservatórios brasileiros, quando cheios, são capazes de guardar mais ou menos a metade de todos os kWhs que são consumidos em um ano em todo o sistema interligado. A grosso modo, se os rios secassem, e fossemos irresponsáveis, ainda poderíamos ter luz por seis meses. É uma imensa vantagem brasileira.

Apesar de vir de graça, Leia o resto do artigo »

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